O superintendente de Universalização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), José Gonçalves Neto, que participou nesta terça-feira do Encontro Tele.Síntese, disse que até o final deste ano a área técnica da agência deverá concluir as discussões para a criação do Aice Móvel (Acesso Individual Classe Especial), destinado a cerca de 22 milhões de famílias inscritas no Cadastro Único dos programas sociais do governo. O Aice incluiria o serviço de voz e a banda larga. Neto acredita que o serviço pode ter sucesso porque há interesse das empresas em implantá-lo.
Até agora, o telefone social fixo não deslanchou, com apenas 30 mil clientes que aderiram ao novo serviço. A nova versão do Aice fixo foi aprovada em abril pela diretoria da Anatel, que previa para os primeiros 12 meses que o telefone social fosse ofertado para as famílias que recebem até um salário mínimo; entre 12 e 24 meses, para aquelas que recebem dois salários mínimos; e a partir de meados de 2014, para todos os inscritos no Cadastro Único. A implantação em etapas foi definida para evitar redução de receita das concessionárias estimadas entre R$ 800 milhões a R$ 1,4 bilhão.
Falta internet em 80 escolas de ensino fundamental no Rio
O município do Rio já conseguiu instalar a internet em mil das 1.080 escolas do ensino fundamental. A informação é da gerente de Projetos Estratégicos da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, Beatriz Alquéres. Ela disse que essas escolas contam, em média, com um computador para cada três alunos. Mas um dos grandes problemas é a burocracia para a contratação dos links, afirmou Beatriz, que destacou que o município está tentando há três anos e não consegue.
Para ela, a capacitação do professor também é fundamental para permitir a incorporação de novas tecnologias. E para resolver este problema, o município está instalando o Ginásio de Experimento de Novas Tecnologias na Educação para treinar os professores.
O presidente da Telefonica, Antonio Carlos Valente, disse que a empresa está oferecendo atualmente 1,330 milhão de acessos da banda larga popular fixa e móvel em todo o país, sendo 330 mil fora do estado de São Paulo. Segundo Valente, que participou nesta terça-feira do Encontro Tele.Síntese, desde que começou a operar no Brasil, o grupo já investiu no país em banda larga fixa e móvel mais de R$ 11 bilhões, sendo cerca de R$ 6 bilhões apenas na modalidade fixa.
Para Valente, é necessário o governo continuar estimulando a demanda pelo serviço com financiamento de terminais, como os smartphones e tablets. Apesar do governo federal vir trabalhando na desoneração tributária desses itens, ainda é preciso avançar mais, principalmente quando se fala nos governos estaduais, avalia o executivo. Outro ponto que deve ser melhorado, segundo ele, são os investimentos públicos em infraestrutura.
O representante da Oi, Carlos Alberto Cidade, falou sobre o trabalho que vem sendo desenvolvido pelas concessionárias para a implantação da banda larga nas escolas. Somente neste projeto, a empresa já investiu R$ 200 milhões. E até 2015, a Oi terá que levar o serviço para 4.854 municípios.
– O desafio para levar a banda larga para as regiões mais remotas estão sendo vencidos com medidas regulatórias da Anatel e de incentivo do governo, como desonerações – afirmou Cidade.
O presidente da Associação Brasileira de Provedores de Internet e de Telecomunicações (Abrint), Basilio Perez, reclamou do tratamento dado pelo governo ao segmento e também falou da contribuição que o setor pode dar a universalização da banda larga, principalmente nas áreas carentes e remotas. Segundo ele, existem no país cerca de 3.500 pequenos provedores de internet e somente 23 municípios dos mais de 5.500 do país não contam com pelo menos um provedor. Ele disse que os provedores representam 22% do mercado do setor e geram 70 mil empregos diretos. Os pequenos provedores investiram no ano passado R$ 1 bilhão.
Segundo Basílio Perez, o trabalho dos pequenos provedores é complementar aos das grandes operadoras para fazer a universalização no país. Eles vão em áreas remotas e de pouco interesse nas regiões metropolitanas das cidades. Mas reclamou do governo, que não tem atendido as demandas do setor, como designar frequências exclusivas para os pequenos provedores.
O representante da TIM, Leandro Guerra, defendeu o compartilhamento das redes entre as empresas, o que ele considera um desafio para o governo, mas que já começa a acontecer com a aprovação do Plano Nacional de Metas de Competição (PGMC) na semana passada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Mas ele disse que este compartilhamento não é somente entre as operadoras de telecomunicações, mas também intersetorial, com as outras áreas – de energia, de petróleo e gás, entre outras.
– O compartilhamento de infraestrutura é uma solução, vemos como fundamental para o desenvolvimento da banda larga no país – disse ele.
Site: O Globo
Data: 06/11/2012
Hora: 17h05
Seção: Tecnologia
Autor: Mônica Tavares
Link: http://oglobo.globo.com/tecnologia/governo-deve-terminar-este-ano-projeto-de-internet-para-familias-carentes-6647276