O Governo Federal vai começar a selecionar, no final do mês, 100 start-ups para serem beneficiadas pelo plano Startup Brasil. Cada empresa vai receber auxílio de R$ 200 mil do Ministério da Ciência e Tecnologia e mais um aporte de aceleradoras que já foram escolhidas pelo ministério para guiar e investir nas empresas de tecnologia. “Queremos que estas empresas nasçam com potencial para concorrer no mercado internacional. O modelo de sucesso de criação de startups é o das aceleradoras”, disse Virgílio Almeida secretário de políticas de informática do MCTI.
As aceleradoras foram selecionadas pelo ministério no início do mês. Foi aberta concorrência e centenas de consórcios de todo o País se inscreveram. Eram seis vagas, mas, na hora da definição, o ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp, aumentou para nove, “devido a alta qualidade das propostas”, segundo Almeida. As aceleradoras selecionadas foram: 21212, Papaya, Pipa e Outsource do Rio de Janeiro; Aceleratech e Wayra de São Paulo; Faumsoft de Minas Gerais; e a Startyouup no Espírito Santo. A Microsoft completa a lista com propostas para Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.
O edital que especifica o que o governo espera das propostas das start-ups ainda não foi publicado, mas o secretário adianta que serão privilegiadas aquelas que produzem software para as áreas estratégicas para o País. Logo, empresas que têm ideias para otimizar os setores de óleo e gás, o sistema financeiro, a aviação, o setor de alimentos, saúde, educação, defesa e transportes podem integrar o grupo dos 100. “Vamos escolher propostas nas áreas de aplicações onde vemos oportunidade para o País. Os setores são aqueles que já somos competitivos internacionalmente”, afirma o secretário.
A prioridade a áreas estratégicas e que o País já conta com relevância explicam a concentração de aceleradoras no Rio de Janeiro e em São Paulo. “Mas recebemos propostas de aceleradoras no Rio Grande do Sul, Centro-Oeste, de todo o País. Elas ganharam experiência e na próxima vez podem até ser selecionadas”, diz Almeida. Os consórcios de aceleradoras escolhidas vão integrar a banca de decisão das startups escolhidas.
Consultoria
Além de um valor acordado de R$ 36 milhões de investimento, as aceleradoras devem ajudar as start-ups com consultorias sobre seus negócios. Segundo o secretário, todos os consórcios contavam com uma instituição de qualificação em sua composição. “Escolhemos propostas que podem realmente ajudar estas empresas”, afirmou.
Elas ainda terão maior proximidade com as “gigantes” presentes no TI Maior, plano de auxílio ao setor tecnológico do governo que engloba o programa. Ele conta com nomes como Microsoft, EMC e Intel, que abriram laboratórios de pesquisa no País.
As start-ups devem apresentar o projeto de produto final (que deverá ser elaborado ao longo de doze meses) no momento da candidatura. Não haverá, contudo, a obrigatoriedade da entrega do resultado. “São as regras do mercado. Se a empresa conseguir apresentar o proposto, bom para eles, bom para nós. Caso não, é da regra do jogo”, afirma Virgílio. As aceleradoras, no entanto, devem cobrar as aceleradoras para ter seu investimento retornado. “É um sistema de Parceria Público-Privado (PPP)”.
Site: Isto é Dinheiro
Data: 07/03/2013
Hora: 13h34
Seção: Tecnologia
Autor: Diego Marcel
Link: http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/114025_GOVERNO+CONVOCA+STARTUPS