Há quase quarenta anos no mercado, a SAP começou como fornecedora de software de gestão empresarial e nos últimos três anos adicionou ao portfólio mais quatro linhas de negócios: mobilidade, analytics, cloud computing e banco de dados e tecnologias, sendo que essas últimas representam 50% da receita da companhia, detalha Rodolpho Cardenuto, presidente da SAP América Latina. “Esse é um exemplo típico de inovação: buscar novas frentes de atuação. Temos sempre de praticá-la e redescobrir como trabalhar”, afirmou o executivo durante a abertura do SAP Fórum 2011, realizado de 13 a 15 de março, em São Paulo.
A companhia também aposta em outras iniciativas para ampliar a inovação. “Uma delas é o investimento em laboratórios de pesquisa e desenvolvimento (P&D) em todo o mundo”, observa Luís César Verdi, presidente da SAP Brasil. Em solo nacional, a fabricante conta com um centro de P&D em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Com 500 funcionários, apoia a estrutura global da organização e tem aliança com a academia para absorver talentos da universidade e repassar inovação ao mercado.
A SAP reconhece, no entanto, que alguns obstáculos podem frear a inovação. “Nosso maior desafio é a disponibilidade de recursos humanos qualificados. Vencê-lo significa investir em educação e temos seguido essa trilha com o SAP Professional, por exemplo”, diz Cardenuto. Naércio Menezes Filho, professor de economia do Instituto de Ensino Superior e Pesquisa de São Paulo (Insper) e da Universidade de São Paulo (USP), concorda.
Para ele, o crescimento de uma economia depende do aumento da produtividade que, por sua vez, é conquistado a partir da inovação. “Educação é fundamental. No Brasil, 97% das crianças estão na escola, porém, o ensino deixa a desejar. Precisamos formar bons pesquisadores”, assinala.
Menezes Filho aponta que um estudo realizado pelo Insper mostrou que a produtividade nacional é apenas um quinto da norte-americana e a coreana é três vezes superior à brasileira. Segundo o professor, o incremento da produtividade nos países que formam o BRIC [Brasil, Rússia, Índia e China] foi de 6% ao ano em 2011. Por aqui, foi 2% ao ano. Outro indicador apresentado pelo acadêmico é o registro de patentes. A contribuição brasileira, diz, é de 0,09%, já os Estados Unidos [líder no ranking] é responsável por 60% das patentes.
Na opinião do professor, além da educação, outros pontos colaboram para formar o gargalo em inovação. “Infraestrutura, crédito caro, dificuldade para criar negócios, pouca promoção da concorrência, distância entre empresas e universidade, incentivos à inovação mal formulados e práticas gerenciais ultrapassadas”, lista. Ele explica que um levantamento, realizado pelo professor John Van Reenen, que estuda o impacto da inovação nos empregos e negócios, indica que, ao comparar práticas gerenciais de corporações em diferentes países, o Brasil está defasado. “Não há, por exemplo, critérios de soluções de problemas”, assinala.
Francisco Vidigal Filho, presidente da Marítima Seguros, acredita que é possível inovar e, ao mesmo tempo, manter a solidez dos negócios. “Não adotar essa postura implica em crescer menos dos que os concorrentes”, diz. Um exemplo recente da Marítima, afirma, é o investimento em mídias sociais. “O mercado de seguros não é totalmente aberto a esse posicionamento, mas é nas redes que estão nosso consumidor”, completa.
A Alpargatas conseguiu, por meio da inovação, diferenciar-se no mercado, acredita Márcio Utsch, presidente da companhia. A empresa, com mais de cem anos de existência, 17 mil empregados e presença em 83 países tem como carro-chefe as sandálias Havaianas, responsáveis por 52% dos negócios da organização. Nos últimos tempos, a Alpargatas investiu milhões de dólares para descobrir o verdadeiro DNA dos produtos e identificou que as sandálias navegavam por diferentes tribos e está presente em ambientes diversos, desde a feira até a festa.
“Na sequência dessas ações, criamos produtos inovadores e buscamos aproximação com diferentes públicos-alvo”, detalha, completando que não inovar e achar que o desempenho da companhia está adequado é a maior fonte de ineficiência.
Utsch acredita que todos esses passos são importantes, mas para ele, o segredo da criatividade e da inovação começa na contratação de pessoas. “Os empregados precisam ter brilho nos olhos”, sintetiza.
Site: Computerworld
Data: 13/02/2012
Hora: 12h42
Seção: Negócios
Autor: Déborah Oliveira
Link: http://computerworld.uol.com.br/negocios/2012/03/13/gargalos-na-educacao-desafiam-inovacao-aponta-sap/