
O Rio de Janeiro iniciou a construção de uma nova agenda estratégica para tecnologia e inovação na cidade. Foi realizado o primeiro encontro do Fórum Tecnológico do Rio de Janeiro, marco inicial da elaboração do Plano Tecnológico para o Rio 2026–2030. A iniciativa reúne poder público, empresas, universidades e entidades do setor com o objetivo de estruturar uma política municipal integrada de transformação digital e inovação pública.
O objetivo é organizar uma agenda estratégica capaz de ampliar a eficiência administrativa da cidade, fortalecer o ecossistema tecnológico local e ampliar a inclusão digital, conectando políticas públicas às demandas do setor produtivo e da sociedade.
A iniciativa foi provocada pelo TI Rio, em articulação junto a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro, que mobilizou a participação de instituições representativas, academia, empresas e lideranças do ecossistema de inovação da cidade.
Participaram do encontro a presidência e membros da diretoria do TI Rio, além de representantes da Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Firjan, SENAC RJ, UFRJ (Inova UFRJ), PUC-Rio e UERJ, gestores e empresários, reforçando o caráter institucional e multissetorial da proposta.
Um fórum para pensar o futuro tecnológico da cidade
A secretária municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, Tatiana Roque, explicou que o Fórum Tecnológico nasce com o objetivo de reunir diferentes atores da cidade para pensar de forma estruturada o futuro tecnológico do Rio.
“Essa é a reunião de lançamento do Fórum de Desenvolvimento Tecnológico do Rio. A ideia é reunir diferentes atores da cidade, empresas, universidades e instituições, para discutir como traçar um plano para o desenvolvimento tecnológico da nossa cidade.”
Segundo ela, a proposta é criar um espaço permanente de diálogo e construção coletiva de políticas públicas voltadas à transformação digital e à inovação.
Rio, farol do Brasil
A secretária destacou ainda que a criação do fórum surgiu a partir de uma provocação do TI Rio, baseada nos estudos realizados pela entidade sobre o ecossistema tecnológico da cidade.
“Essa iniciativa partiu de uma provocação do TI Rio, a partir do relatório que eles fizeram sobre o ecossistema de tecnologia da cidade. A partir desse diagnóstico, percebemos a necessidade de construir um plano e desenvolver iniciativas conjuntas que reúnam tudo o que o Rio tem de melhor para que a cidade volte a ser um farol do Brasil.”
Durante o encontro, o subsecretário municipal de Ciência e Tecnologia, Gabriel Medina, destacou que o fórum representa um espaço estratégico de diálogo entre diferentes setores para planejar o futuro tecnológico da cidade.
Segundo ele, a construção de um plano estruturado depende da cooperação entre governo, empresas e instituições de ensino.
“É muito importante o diálogo entre os vários setores, setor público, setor privado, instituições de formação e de pesquisa. Com planejamento de longo prazo e participação coletiva, conseguimos transformar o Rio em uma cidade que aproveita todo o seu potencial, com boas universidades, bons empresários e centros de pesquisa, para ativar o desenvolvimento econômico da cidade e melhorar a vida dos cariocas.”
Diagnóstico do setor como base para políticas públicas
A importância de utilizar diagnósticos estruturados para orientar políticas públicas também foi destacada pelos participantes do encontro. Para Gabriel Bicharra Santini, gerente de inovação do Senac RJ, iniciativas como o fórum dependem de dados e estudos que permitam compreender o ecossistema tecnológico local e orientar decisões estratégicas.
“Um espaço como esse precisa de diagnósticos como os realizados pelo TI Rio. O mapeamento do setor é fundamental para direcionar políticas públicas e ações de formação profissional. A partir desses dados conseguimos entender como as instituições podem colaborar com formação, tecnologia e desenvolvimento.”
Quatro eixos estruturantes para a agenda tecnológica
O Plano Tecnológico para o Rio 2026–2030 será organizado a partir de quatro eixos estratégicos que orientam a agenda de inovação e transformação digital da cidade. Esses eixos buscam integrar modernização da administração pública, formação de talentos e fortalecimento do ambiente econômico voltado à tecnologia.
O primeiro eixo, Infraestrutura e Inteligência Pública, concentra-se na modernização tecnológica da administração municipal. A proposta envolve a integração progressiva de bases de dados, o fortalecimento da segurança da informação e o uso estratégico de dados e ferramentas analíticas para apoiar a formulação e o monitoramento de políticas públicas.
O segundo eixo, Capital Humano e Formação Tecnológica, tem como foco ampliar a capacidade de formação da cidade em áreas tecnológicas estratégicas. A iniciativa busca fortalecer a articulação entre ensino técnico, pesquisa aplicada e demandas do mercado de trabalho, especialmente em áreas como ciência de dados, inteligência artificial, desenvolvimento de software e segurança cibernética.
Já o eixo de Desenvolvimento Econômico e Inovação Aplicada propõe aproximar o ecossistema tecnológico das demandas da administração pública. A ideia é estimular mecanismos que permitam a contratação e experimentação de soluções inovadoras, utilizando o próprio poder público como indutor de inovação.
Por fim, o eixo de Mercado e Competitividade Tecnológica busca consolidar o Rio de Janeiro como um ambiente competitivo para negócios de base tecnológica. A proposta inclui ações voltadas à atração de investimentos, retenção de talentos e fortalecimento de empresas inovadoras, contribuindo para dinamizar a economia local e ampliar a presença do Rio no cenário tecnológico nacional e internacional.
Articulação: Rio polo tecnológico
Para o presidente do TI Rio, Alberto Blois, o fórum representa um passo importante para reposicionar o Rio de Janeiro como protagonista nacional no desenvolvimento tecnológico.
“É uma iniciativa muito importante focada no desenvolvimento tecnológico do Rio de Janeiro. A Secretaria de Ciência e Tecnologia do município abraçou a ideia logo na primeira hora, e conseguimos organizar rapidamente um encontro com academia, empresas, instituições e poder público.”
Segundo ele, a articulação entre diferentes atores do ecossistema é essencial para promover o desenvolvimento econômico da cidade.
“É um grande momento de articulação para promover o desenvolvimento tecnológico e econômico do Rio. O Rio tem vocação para ser protagonista no cenário brasileiro do desenvolvimento tecnológico.”
Mapeamento do Setor de TI
Um estudo inédito realizado pelo TI Rio, em parceria com a Softex e a RioSoft, faz uma radiografia do setor de tecnologia do estado do Rio de Janeiro. O levantamento reúne dados estratégicos sobre o ecossistema tecnológico fluminense, identificando quem são as empresas, onde estão e o que fazem.
O estudo funciona como uma base de inteligência para o setor, orientando decisões empresariais, políticas públicas e iniciativas de articulação institucional, como o próprio Fórum Tecnológico do Rio. O mapeamento será constantemente atualizado, acompanhando a evolução do mercado e das empresas de tecnologia no estado.
Texto: Bruno Nasser