Os CIOs das empresas usuárias de TI estão pouco satisfeitos com o trabalho desenvolvido por fornecedores de tecnologia e desejam uma proximidade maior por parte desses parceiros. A situação está exposta no estudo Antes da TI, a Estratégia, realizado pela IT Mídia para mapear o atual cenário e descobrir as motivações que determinam a compra de produtos e serviços de TI no Brasil.
Segundo os executivos de tecnologia ouvidos, o mercado não assimilou por completo a necessidade dos clientes que, hoje, vão além do controle do orçamento para a aquisição de ofertas prontas e procuram inovações. Os números do estudo mostram isso quando 53% dos CIOs afirmam que os fornecedores têm o discurso extremamente focado nas funcionalidades dos próprios produtos e não conseguem pensar em soluções mais amplas.
O quadro aparenta ser melhor do que no ano passado, quando esse índice ficou em 70%. No entanto, ainda é insuficiente para evitar críticas por parte dos gestores de tecnologia de empresas. O maior problema apresentado é que a realidade atual exige mais dos fornecedores e isso vem sendo detectado há anos. Por esse motivo, esperava-se que não apenas uma maioria irrisória se destacasse compreendendo o cenário e fornecendo soluções.
“Não é de hoje que isso vem mudando, mas a maioria dos fornecedores parece viver em um mercado no qual nós comprávamos somente produtos e serviços básicos. Hoje estamos sendo cobrados por soluções que não existem prontas e inovações que só podem ser criadas por quem conhece os processos internos e mercados onde atuamos e é aí que falta uma ajuda maior”, explica o CIO da Carbocloro, José Carlos Padilha.
Os CIOs sentem falta de parceiros que possam contribuir com o futuro dos negócios. O problema não é técnico. “Eles conhecem muito bem o próprio produto, mas quando precisam entender além da commodity que vendem e ajudar na estratégia, a relação complica”, explica Padilha.
Para o executivo, uma das explicações pode estar na alta rotatividade de profissionais dentro dos fornecedores. “É preciso mais de um ano tendo contato com nossa realidade para entender o negócio da Carbocloro, só que esses profissionais saem das empresas, às vezes, em menos tempo. E é uma situação comum”, diz. Com isso, as conversas sobre soluções que ajudam a definir o futuro das corporações precisam sempre reiniciar do zero, causando desgaste no relacionamento e perda de tempo.
O estudo aponta essa situação. Segundo a análise dos resultados, “os fornecedores de tecnologia que não estiverem pensando somente no curto prazo – em auferir os bônus e lucros promissores deste ano – devem investir na formação de suas equipes, porque os clientes esperam muito mais em termos de entendimento do seu negócio e das suas necessidades”.
Buscando soluções
Os números da pesquisa mostram que dentro das empresas usuárias, o investimento em TI é percebido como algo ligado à inovação e aplicação de novas tecnologias que tornem os negócios mais competitivos e inovadores por 49,66% delas. Em 2011, esse índice era de 45,16%.
O acréscimo mostra como a cultura de TI vem se modificando e está deixando de ser operacional e reativa aos problemas que se apresentam. Em outra questão do estudo, o percentual de CIOs que afirmaram que TI é percebida como estratégica para o negócio ou como ferramenta de competitividade subiu para mais de 85%, contra pouco mais de 80% no ano passado.
Diante desse descolamento entre necessidade e oferta, os CIOs estão assumindo posturas mais duras em relação aos fornecedores. As exigências de contato constante e mais próximo vêm aumentando e soluções simples e criativas começam a surgir para driblar a rotatividade de bons profissionais nos fornecedores.
“Fomos obrigados a criar um banco de talentos que acompanha o desempenho de quem nos atende e esses índices nos ajudam a definir as compras de TI”, diz Cláudio Antonio Fontes, CIO da Spaipa, indústria de bebidas que detém marcas importantes como Coca-Cola, Kapo, Dell Vale, Crystal e Kaiser.
Uma planilha simples contém os nomes dos principais fornecedores e dos profissionais que atendem a empresa. São acompanhados alguns itens de desempenho e isso serve de argumento para definir quem a empresa deseja que faça o atendimento. Se o profissional muda e vai para outro fornecedor, ele é acompanhado e o novo parceiro passa a contar com um ponto a mais na hora das negociações. Segundo Fontes, não é algo que define a aquisição de TI, mas ajuda na hora de diferenciar os parceiros e mostrar quem está apto a contribuir mais com o negócio da empresa.
“Os CIOs sabem que o mercado de mão de obra em TI tem particularidades e as mudanças fazem parte da procura de novas oportunidades dos profissionais ou corte de custos dos fornecedores, mas esse acompanhamento nos ajuda a valorizar o bom relacionamento e o conhecimento que necessitamos para criar soluções e inovar”, comenta Fontes.
Espaço para crescer
Apesar do atrito exposto nas relações entre empresas usuárias e fornecedoras de TI, os CIOs estão otimistas em relação ao mercado. “É uma situação incômoda, mas isso não determina cancelamento de contratos ou rompimento de relações”, aponta Fontes. Para ele, há muito espaço para ambos os lados crescerem e o mercado busca melhorias nesse sentido já que há um aquecimento que não pode ser desperdiçado.
O estudo da IT Mídia mostra que em 64,93% das empresas, o orçamento de TI foi cumprido conforme o planejado e outras 11% até aceleraram os planos originais. Mesmo nas 23,78% nas quais os planos ficaram aquém do previsto, é esperada uma aceleração para que a companhia não perca espaço no mercado e resolva demandas para as quais a TI não estava preparada.
Site: CRN Brasil
Data: 29/10/2012
Hora: ——
Seção: Notícias em destaque
Autor: ——
Link: http://crn.itweb.com.br/39639/fornecedores-tornam-se-gargalos-para-solucoes-em-ti/