A proposta do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) de transformar a sua Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em banco foi abortada. Um estudo contratado da consultoria internacional Ernst &Young sinalizou que o melhor caminho para o órgão é o de uma agência de fomento.
O plano de transformação da Finep em banco era para dar mais visibilidade ao setor de TI na concessão de crédito. Entretanto, o levantamento da Ernst & Young revelou que os altos custos dessa mudança trazem poucos benefícios ao setor. Esse tipo de operação daria mais rigidez para aos contratos de financiamento.
Segundo o presidente da Finep, Glauco Arbix, a ideia de transformação do órgão em agência de fomento oferece mais flexibilidade. Ele destaca que esse modelo não deixa de ser uma figura financeira.
“Para os padrões de quem trabalha com ciência e tecnologia, o banco de desenvolvimento daria mais rigidez. Ou seja, teríamos mais dificuldade para trabalhar com os instrumentos que operamos hoje”, afirmou o presidente da Finep durante o congresso “Tecnologia para um Brasil inovador e competitivo”, realizado esta semana em Brasília, pela Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação (ABIPTI).
Pela avaliação de Arbix, a agência de fomento vai permitir acessar todos os instrumentos atuais e com a vantagem de gerar menos custos na mudança de papel da Finep.
Para funcionar como um banco, a Finep teria de atender uma série de exigência do Banco Central. Precisaria ainda se desagregar do MCTI e todas suas operações de crédito. Seria necessário ainda alterar o seu sistema de tesouraria.
Gestão de riscos em TI
Arbix antecipa que uma das novidades que a nova agência de fomento vai permitir à Finep é a criação de uma área gestão de riscos financeiros para TI. É algo, segundo ele, que não existe ainda no Brasil.
“Ninguém tem hoje no Brasil uma área de gestão de riscos para TI. O que temos atualmente é voltado para risco empresarial”, afirma o presidente da Finep.
De acordo com Arbix nem o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foca essa área. Ele argumenta que as instituições financeiras não se voltaram ainda para a gestão de riscos em TI porque não entendem esse setor.
Site: Computerworld
Data: 17/08/2012
Hora: 9h57
Seção: Tecnologia
Autor: Edileuza Soares
Link: http://computerworld.uol.com.br/tecnologia/2012/08/17/finep-desiste-da-ideia-de-se-transformar-em-banco/