Faltará mão de obra no setor de outsourcing de TI no Brasil

Para falar de outsourcing de Recursos Humanos e recrutamento de profissionais de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) é preciso entender qual a posição do nosso País atualmente neste setor.  O mercado brasileiro de TI e telecomunicações, considerando a comercialização de equipamentos, programas e serviços, tem uma estimativa de crescimento de 9,2% para este ano. O Brasil deverá atingir a posição como o quarto maior mercado de TIC do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Japão.

Em 2013, o mercado brasileiro teve alta de 9,5%, patamar superior ao dobro da média global, que ficou em 4%. Com esta estimativa, a taxa de expansão do Brasil deve ficar, em 2014, acima do previsto para a América Latina (8,2%) e o restante do mundo (4%).

O crescimento do setor no Brasil, trazendo o País para a quarta posição no ranking, deve-se ao investimento e à abertura para a computação em nuvem, big data, redes sociais, dispositivos e aplicativos móveis, subindo o nível de exigência de como os softwares e serviços estão sendo entregues no mercado, estimando-se um investimento de US$175 bilhões (cerca de R$ 422 bi) no setor. Esse cenário nos faz pensar se o Brasil está preparado para atender a todas essas demandas, principalmente quando entramos no assunto de mão de obra especializada.

O setor contratou 159 mil pessoas no Brasil inteiro em 2013 sendo a maior parte distribuída entre o estado de São Paulo (47%), seguido do Rio de Janeiro (11%) e Minas Gerais (10%).
Já para 2014, teremos aproximadamente 78 mil novas vagas de TI, porém, só neste ano cerca de 50 mil vagas não serão preenchidas. Por ano, 33 mil profissionais se formam no setor, mas a demanda é tão grande que existe um déficit de profissionais no mercado, e esse número irá aumentar. Até 2015, teremos cerca de 120 mil novas vagas abertas, para as quais os empregadores não conseguirão encontrar profissionais qualificados para preenchê-las.

Qualificação

Apesar do crescimento do setor, um dos problemas que atinge o segmento de TI é a qualificação dos profissionais.  Ainda para este ano, o mercado se apresentará positivo para profissionais com conhecimento em cloud computing e virtualização, programação e desenvolvimento de aplicações (apps), armazenamento de dados, Business Intelligence (BI), big data, mobilidade, IPv6 e segurança.

Já o que chamamos de Soft Skills, que são atributos e competências pessoais, como comunicação verbal, assertividade, poder de persuasão, oratória, capacidade de liderança ou de ensino, entre outras, bem como línguas estrangeiras, também serão levadas em conta e devem ganhar destaque nos currículos dos profissionais de TI em 2014.

Apesar das novas tendências, numa avaliação global de emprego para profissionais de TI, 2014 será muito parecido com 2013, com 32% das empresas esperando aumentar a quantidade de empregados em seus departamentos de TI, em comparação a 33% em 2013. Sendo assim, o desemprego nesse segmento será provavelmente próximo à zero para pessoas que possuem as habilidades mais demandadas do mercado.

A avaliação que as consultoras de RH fazem com relação às demandas existentes, geralmente, está relacionada ao tempo de atendimento ao mercado, que é muito pequeno. Quando existe uma demanda, esta chega até as consultorias sempre em caráter de urgência, não existindo, por exemplo, uma preparação prévia que o projeto possa ter consumido e que o fornecedor de serviços especializado tenha se envolvido. As empresas de RH estão mais próximas das atividades finais dos processos traçados na estratégia do cliente, que determina o tipo de profissional que será necessário para atender àquela demanda.

Atender Outsourcing de Recursos Humanos para TI exige dos especialistas o domínio de todas as categorias profissionais do setor, que vai desde uma área de atendimento (Help Desk) até o gerenciamento de equipes e projetos, passando por analistas desenvolvedores, analistas de negócios, de processos, de sistemas, engenheiros, arquitetos, consultores especializados em soluções empresariais e ERP, tecnologia de comunicação de dados e voz e data centers, entre tantas outras competências e perfis.

É importante saber que o outsourcing não faz parte das estratégias apenas das grandes empresas, embora seja muito comum a ideia de que a terceirização só cabe em grandes corporações ou para projetos de longa duração, com orçamento bastante elevado. Hoje vemos um cenário bastante diferente, onde encontramos empresas de todos os portes adotando este modelo de solução, justamente para aumentar sua capacidade de realização dos projetos que possuem ou da demanda diária de atividades.

*Natassia Araújo é consultora de RH na Randstad Technologies

Site: Computerworld
Data: 11/04/2014
Hora: ——
Seção: Opinião
Autor: Natassia Araújo
Link: http://computerworld.com.br/blog/opiniao/2014/04/11/faltara-mao-de-obra-no-setor-de-outsourcing-de-ti-no-brasil/

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