Apesar da proliferação de aparelhos móveis e da empolgação com as mídias sociais no Brasil, as empresas ainda estão aprendendo a tirar proveito destas novas oportunidades, de acordo com executivos de software da IBM.
“Social e mobilidade são prioridades no Brasil. O brasileiro está sempre ligado, compartilhando e se expondo de forma tranquila”, disse à Folha Ana Paula Assis, diretora de software da IBM Brasil.
“Para as empresas, é realmente uma possibilidade de ter um acesso fantástico a informações sobre padrões de comportamento e preferências.”
Mas ainda não existe no país “visão de negócios” quando o assunto é mídia social. O principal desafio atual é entender tudo o que acontece em tempo real em todas as plataformas para conseguir extrair algo importante.
“Temos ainda um grande caminho pela frente no Brasil. Só geramos coisas estáticas, como quantas vezes você apareceu numa mídia social, mas sem tirar inteligência”, disse Paulo Mello de Souza, gerente de software da IBM Brasil.
Ele cita como bom exemplo as eleições presidenciais americanas, quando redes sociais foram monitoradas para prever o resultado.
Souza e Assis estavam em Las Vegas para um evento da IBM que reuniu mais de 6.000 clientes e executivos para apresentar suas parcerias com grandes e pequenas empresas.
A Ford mostrou soluções inteligentes para seus carros, e a gravadora BMG falou sobre ferramentas de monitoramento de suas canções para pagamento de direitos autorais.
A palavra mais repetida nas sessões foi mobilidade. Se no final dos anos 90 toda firma queria uma página na internet, hoje a pressão é para ter um aplicativo de celular ou tablet.
Há um ano, a IBM criou uma divisão apenas para oferecer soluções e serviços para que empresas pudessem aproveitar o boom dos aparelhos móveis, um setor que movimenta US$ 22 bilhões no mundo.
O setor financeiro é o que mais tem investido em mobilidade, e há “grande potencial imediato” para o setor público e de seguros no país, de acordo com Assis. Os desafios continuam sendo pouca mão-de-obra especializada e uma infra-estrutura “muito aquém do necessário”.
“Temos problemas na área de transporte e há pontos de congestionamento de redes de telefonia de celular”, disse Assis. “Acho que nem elas [as teles] e nem a gente acreditávamos que a adoção de smartphone no país aconteceria de forma tão rápida.”
Site: Folha de São Paulo
Data: 06/05/2013
Hora: 12h42
Seção: Mercado
Autor: Fernanda Ezabella
Link: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/05/1274020-falta-visao-de-negocios-nas-redes-sociais-no-brasil-dizem-especialistas-da-web.shtml