Extreme investe na instalação de fábrica no Brasil

A corrida do Brasil para ampliar a infraestrutura de comunicação para atender a atual e as futuras demandas de dados, que serão geradas com Copa do Mundo e Olimpíada fez com que a fabricante norte-americana Extreme Network decidisse investir em uma fábrica no Brasil. O anúncio foi feito pelo diretor regional da companhia para a América Latina, Carlos Perea, que esteve recentemente em São Paulo.

O empreendimento faz parte da estratégia da companhia para se reposicionar no mercado brasileiro e se colocar entre os cinco maiores fornecedores de equipamentos para redes de banda larga. Para isso, a empresa deverá investir entre 8 milhões de dólares e 10 milhões de dólares nos próximos oito meses como medida para reforçar a competição com Cisco e Huawei.

A empresa vai produzir aqui a sua linha de switches para redes de dados, que atualmente é fornecida ao mercado local via importação. São seus clientes no País, operadoras de telecomunicações, órgãos de governo e data centers.
 
Perea explica que o plano da Extreme é ter manufatura terceirizada no País, seguindo o mesmo modelo das três plantas industriais, que hoje estão em operação no México. No exterior, a produção é realizada pela Flextronics e Alpha Networks, ambas com presença no Brasil.

O executivo informa que o processo de fabricação local está em fase final de negociação e o possível local é o Rio de Janeiro. A produção está prevista para começar em 2013, com a montagem inicialmente das linhas de switches modulares Summit e BackDiamond.

O CEO da Extreme observa que o mercado brasileiro está muito aquecido e que a companhia enxerga muitas oportunidades de negócios aqui. Ele menciona o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que está sendo implementado pelo governo federal para levar acesso às classes menos favorecidas, e que vai gerar demanda por equipamentos de redes.

Outro fator que faz os olhos do executivo brilhar quando fala do Brasil é a movimentação das teles para ampliação de suas redes fixas e móveis. Os quatros grupos de telefonia móvel (Claro, Oi, TIM e Vivo) acabaram de arrematar licenças no leilão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para construção das redes 4G. Elas têm planos agressivos de investimentos para que os novos serviços entrem no ar um ano antes da Copa do Mundo.

Mudanças no Brasil

“O mercado brasileiro de Telecom está crescendo muito rapidamente e experimentando mudanças para se tornar mais sofisticado, como aconteceu nos Estados Unidos e Europa”, afirma o diretor da Extreme Networks. Ele observa que esse cenário e o bom momento da economia estão atraindo investidores do Vale do Silício, interessados em disputar o mercado local de cloud computing.

Para atender esses novos clientes e a sua base atual, a Extreme começou reforçar sua presença no País. Um novo plano estratégico para o Brasil vem sendo implementado desde o ano passado com a criação do canal de distribuição. A companhia saiu de um modelo de 100% de vendas diretas para atuação por meio de parceiros. Hoje além, de aliança com a Ericcson, a fabricante opera com os integradores TDEC, Damovo e Anixter.

Essa mudança, segundo Perea, já está dando resultado. O Brasil passou na frente do México. A receita local, cujo valor não foi revelado, é 40% maior que a do mercado mexicano. Para sustentar esse crescimento, a Extreme está ampliando também sua estrutura de suporte local, implementando atendimento em português. Um engenheiro brasileiro foi exportado para o centro de desenvolvimento, na Carolina do Norte (EUA), para coordenar o time que atende clientes nacionais.

Hoje, a maior clientela da Extreme no Brasil é o mercado corporativo, com participação de 45% dos negócios. Em segundo lugar estão as teles, que contribuem com 35% da receita. Os 20% restantes do faturamento vêm dos data centers, que é um novo mercado para companhia no País, com tendência de aumento por conta da disseminação dos serviços em nuvem.

Site: Computerworld
Data: 27/07/2012
Hora: 13h35
Seção: Negócios
Autor: Edileuza Soares
Link: http://computerworld.uol.com.br/negocios/2012/07/27/extreme-investe-na-instalacao-de-fabrica-no-brasil/

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