
Servidores otimizados para inteligência artificial ampliam a pressão sobre as redes elétricas e transformam o acesso à energia em fator estratégico para o setor de tecnologia
O avanço da inteligência artificial está provocando uma forte expansão da demanda energética dos data centers. O consumo mundial de eletricidade dessas estruturas deve crescer 26% em 2026, passando de 447 terawatts-hora (TWh), em 2025, para 565 TWh neste ano, segundo estimativa da Gartner.
A potência instalada também deve avançar de 104 gigawatts (GW) para 132 GW no mesmo período. Até 2030, a projeção é de que alcance 290 GW, impulsionada principalmente pela ampliação da infraestrutura necessária ao processamento de modelos e aplicações de IA.
Segundo a Gartner, enquanto o consumo dos servidores convencionais deve crescer apenas 1,2% em 2026, a demanda dos equipamentos otimizados para inteligência artificial deve aumentar 84,2%, chegando a 175 TWh. Com isso, esses servidores já responderão por 31% de toda a eletricidade utilizada pelos data centers neste ano e deverão superar o consumo dos servidores tradicionais em 2027. Os sistemas de resfriamento, indispensáveis para manter os equipamentos em funcionamento, também devem consumir 22,6% mais energia.
Energia se torna novo gargalo da infraestrutura digital
A expansão da capacidade computacional depende não apenas da disponibilidade de chips, memória e equipamentos, mas também do acesso contínuo e previsível à eletricidade. A conexão à rede elétrica já aparece entre os principais obstáculos à instalação de novos data centers.
Esse cenário tem levado grandes empresas de tecnologia a buscar contratos de fornecimento de longo prazo e investimentos diretos em novas fontes de geração. Microsoft, Amazon, Meta e Google estão ampliando acordos relacionados a energia nuclear, solar e outras fontes capazes de sustentar operações de alta capacidade.
A Microsoft, por exemplo, firmou um acordo para apoiar a reativação da antiga unidade 1 de Three Mile Island, hoje denominada Crane Clean Energy Center. A energia produzida pela usina deverá abastecer seus data centers com fornecimento contínuo e de baixa emissão de carbono.
O movimento mostra que a segurança energética passou a integrar a estratégia competitiva das big techs. Ter acesso à energia suficiente, no local e no momento necessários, pode definir quais empresas conseguirão ampliar suas infraestruturas de IA e controlar os custos operacionais.
A pressão já pode ser observada em países com grande concentração de data centers. Na Irlanda, essas instalações consumiram 23% de toda a eletricidade do país em 2025, percentual próximo dos 28% registrados pelo conjunto das residências.
Texto: Redação TI Rio
Curadoria Editorial: Bruno Nasser