Em breve, dispositivos serão os condutores da computação em nuvem – e vice-versa. O motivo? É muito sensato usar uma nuvem privada para gestão de segurança e outros aspectos de aplicações móveis. Mas chegar lá vai exigir planejamento e algum investimento de TI.
Algumas empresas já optaram por este caminho. Em levantamento recente com 3.645 executivos de TI em oito países, um terço dos entrevistados disse que o fornecimento de acesso à informação para vários dispositivos móveis é a principal razão para a implementação de computação em nuvem. A pesquisa encomendada pela CSC à TNS, aponta a redução de custos como a terceira razão mais popular para a adoção de nuvem.
Richard Peltz, vice-presidente sênior e CIO da corretora Marcus & Millichap, está em processo de aquisição de um sistema de gerenciamento de conteúdo (CMS), desenvolvido pela Sitecore, que será implementado em uma cloud privada baseada em produtos da VMware.
“A parte boa disso é que temos de processamento automático de conteúdo para todos os dispositivos móveis, que elimina a necessidade de escrever apps para dispositivos específicos, iPhone ou Android, entre outros”, explica Peltz. Depois do CMS totalmente implementado ele “permitirá que todo o conteúdo passe a ser gerenciado pelos usuários finais ou unidades de negócios”, completa.
Ao integrar o CMS aos dispositivos móveis em sua nuvem privada, a Marcus & Millichap, em essência, criou uma nuvem móvel.
Na opinião de Bernard Golden, CEO da consultoria HyperStratus, o movimento da Marcus & Millichap representa apenas o início da tendência de nuvem móvel. Com o número crescente e a diversidade de dispositivos de computação móvel, que têm capacidade de armazenamento local limitada, comparados aos ambientes tradicionais de computação pessoal, há um deslocamento de grande parte das funcionalidades de um aplicativo para um ambiente centralizado, como a nuvem. Este permite que processamento, armazenamento, acesso a dados, segurança e gestão sejam tratados uma forma centralizada.
O mercado de aplicações baseadas em nuvens móveis deve crescer quase 90% entre 2009 e 2014, de acordo com a Juniper Research. Já a ABI Research relata que mais de 240 milhões de clientes empresariais irão acessar os serviços de computação em nuvem por meio de dispositivos móveis em 2015 e esse número pode chegar a um bilhão no mesmo ano.
Na verdade, não estaríamos errados em afirmar que, dado o grande número e variedade de dispositivos móveis em uma empresa de tamanho considerável, a única maneira inteligente de gerenciar o uso é por meio de algum tipo de método centralizado.
Computação móvel não é computação em nuvem móvel
Embora a computação móvel e a computação em nuvem móvel possam parecer a mesma coisa, elas são, de fato, muito diferentes. Em computação “regular” móvel, os aplicativos são executados em um dispositivo móvel em modo nativo, com a aplicação e todos os dados armazenados no dispositivo.
Executar um aplicativo móvel em modo nativo tem algumas vantagens – a mais importante é a ausência de latência ou problemas de largura de banda da rede.
Mas as aplicações que rodam em dispositivos móveis são frequentemente limitadas em termos de funcionalidades.
Em contrapartida, aplicações de computação em nuvem móveis são executadas em servidores que residem na nuvem. Os dados de aplicativos também vivem nas nuvens e os resultados são enviados ao dispositivo móvel a partir de uma rede over-the-air, como 3G ou 4G.
Computação em nuvem móvel permite aos usuários executarem aplicativos mais robustos, desde que sejam tomadas medidas de segurança suficientes no local, assim como medidas para evitar problemas como latência e questões de largura de banda para a transferência de dados entre a nuvem e o dispositivo móvel.
Criando um ambiente de nuvem móvel
Mesmo que as nuvens possam facilitar o acesso do usuário final para aplicativos móveis, as organizações de TI e os desenvolvedores devem lidar com uma série de questões importantes para posicionar corretamente uma nuvem privada para acomodar a computação móvel. Entre eles, a gestão de identidade, que precisa ser estendida para dispositivos móveis. Você também deverá ser capaz de controlar o que está no dispositivo em caso de perda, roubo ou aoenas deseje substituí-lo.
Além disso, as aplicações têm de ser arquitetadas corretamente, para que os aplicativos executados em dispositivos móveis possam acessar software corporativo e dados residentes na nuvem. Os desenvolvedores de aplicativos também “têm de explicar o fato de que os dispositivos móveis têm capacidade menor de largura de banda e conectividade”, diz Golden.
Para Kamesh Pemmaraju, analista do Grupo de Sand Hill, o celular irá atuar para acelerar a adoção da nuvem corporativa. “No nível corporativo, os funcionários estão usando mais e mais dispositivos móveis para leitura de e-mail, acesso a bancos de dados etc.”
Tony Iams, vice-presidente e analista sênior da Ideas Technologies, chega a afirmar que “cloud computing e computação móvel são desenvolvimentos paralelos”, já que ambos, de alguma forma envolvem movimento a partir do cliente para o servidor. “Isso cria uma relação entre os dois.”
Como os dados (e algumas aplicações) estão em movimento entre dispositivos móveis e a nuvem, a segurança é uma consideração importante. Mas o desenvolvimento de aplicações e o gerenciamento de dispositivos também são extremamente importantes.
A forma como as organizações abordam cada uma dessas questões irá afetar significativamente a usabilidade da nuvem móvel. Vejamos:
Segurança – É preciso garantir que as aplicações e os dados estejam protegidos durante o uso normal e quando os dispositivos móveis são perdidos. Tem mais: segundo Jeff Deacon, diretor de estratégia corporativa da Verizon Business, hoje, na maioria das organizações, os dispositivos móveis estão vindo acessando dados por meio da internet, e isso não é uma boa ideia. O acesso a dados protegidos a partir de tablets e smartphones deve ser feito via uso de uma VPN.
Desenvolvimento de aplicativos móveis – Você desenvolve suas próprias aplicações ou aplicativos, ou compra de terceiros? Fornece sua própria loja de aplicativos ou usa a App Store ou a Android App Store? Limita os funcionários a um conjunto específico de aplicativos?
Gestão de dispositivos móveis – Fornece aos empregados os dispositivos móveis que vão usar ou é adepto do BYOD (do inglês traga seu próprio aparelho)? Determina o uso de dispositivos específicos ou deixa os usuários escolherem os seus favoritos?
Tudo isso irá interferir na estratégia adotada. Não esqueça.
Site: Computerworld
Data: 21/03/2012
Hora: 16h
Seção: Tecnologia
Autor: Bill Claybrook
Seção: Tecnologia
Link: http://computerworld.uol.com.br/tecnologia/2012/03/21/estrategia-movel-ganha-aditivo-com-a-nuvem/