Livros, palestras, conversas, tudo o que é dito no ambiente start-up – jovens empresas inovadoras com negócio de alto risco – leva, de algum modo, a certa palavra inglesa: lean, ou enxuta. Nesse meio, ela denota muito mais que um adjetivo, significando uma nova metodologia de gestão de empresas adotada por uma legião fervorosa. O precursor dessa onda é o autor americano Eric Ries, de 34 anos, que cunhou o termo Lean Startup e escreveu livro homônimo que se tornou best-seller do “New York Times” em 2011. No Brasil, foi publicado no ano passado sob o título “A Startup Enxuta”, concomitante à febre de empreendedorismo ainda em curso.
– Nunca estive no Brasil, mas posso julgar quão ativa é a comunidade start-up de um lugar pelo número de convites que recebo. O Brasil lidera, sem dúvida, pois já perdi as contas de quantos empresários brasileiros me escreveram. Pude testemunhar o entusiasmo e a paixão com o empreendedorismo que há no Brasil – conta ao GLOBO, por telefone, de San Francisco, sem recorrer à falsa modéstia para justificar o fato de jamais ter pisado aqui: – Ainda não aconteceu por questão logística. Além disso, custa muito dinheiro me levar a algum lugar, eu sou um palestrante caro.
Em linhas gerais, o método enxuto posto por Ries no papel preconiza testar diretamente com os consumidores versões rudimentares do produto. Dessa forma, argumenta o autor, é possível saber com o menor desperdício possível se vale mesmo à pena seguir desenvolvendo aquela solução. Assim, start-ups enxutas não consomem tempo e dinheiro de mais criando um aplicativo antes de ter a certeza de que é aquele software que os clientes desejam.
Hoje em dia, Ries volta sua atenção mias para inovações surgidas no setor industrial do que no meio digital. Ele cita formas avançadas de fabricação de produtos, que inclui a automação sem precedente proporcionada pela Internet das Coisas e o advento da impressão 3D.
– Diferentemente das técnicas tradicionais, esse novo processo não busca apenas eficiência e aumento de margens, mas também a melhoria constante da produção. Todo objeto que sair de uma fábrica constituirá um único lote, constituindo um experimento singular – argumenta.
Depois de ter sido declarado plano na década de 90, parece que o mundo está prestes a se tornar enxuto também.
Site: O Globo
Data: 2/11/2013
Hora: 20h
Seção: Tecnologia
Autor: Rennan Setti
Link: http://oglobo.globo.com/tecnologia/eric-ries-guru-das-start-ups-aposta-na-impressao-3d-10669745