Um dos conceitos que está se difundindo com mais força nesta nova economia digitalizada é a necessidade de errar, aceitar o erro e aprender com ele. Em palestra no Ciab Febraban nesta quarta-feira, 22, o economista Tim Harford, autor do livro “The Undercover Economist”, falou sobre a necessidade do erro e, mais importante, de errar da maneira correta.
“A era digital coloca muita pressão sobre o setor financeiro, que precisa inovar. Mas, para isso, é preciso aprender a errar e acertar”, afirma. O economista reconhece que esta é uma ideia difícil de vender, principalmente a bancos e outras instituições, lembrando que o fracasso parece interessante em uma startup, mas não soa tão bem em grandes bancos.
Por isso ele diz existir os bons e os maus erros, todos originados da capacidade humana de lidar com o grande volume de opções existentes hoje. Como exemplo, ele lembra que uma sociedade primitiva, como uma tribo indígena, tem à disposição cerca de 300 produtos. Ao mesmo tempo, o habitante de uma grande cidade, como São Paulo ou Nova York, tem 10 bilhões de produtos e serviços à disposição. “O cérebro, nos dois casos, é o mesmo. Por isso precisamos aprender a cometer os erros certos, aqueles que nos ajudam a ser mais criativos”, diz.
Mas como fazer isso? Para criar uma cultura que tire vantagem dos erros, Harford defende que quatro obstáculos devem ser superados. O primeiro deles é psicológico, e está relacionado ao modo como nos comportamos em grupo. Ele lembra que não e fácil fazer algo diferente dos outros, o que leva as pessoas a concordarem com as decisões da maioria.
“Com isso, nunca tentaremos algo diferente, porque não queremos ser os únicos a mudar”, explica. Há duas saídas aqui: estimular as pessoas a discordarem umas das outras e, dentro do possível, buscar a diversidade, reunindo jovens, velhos, homens, mulheres etc. “Reunir pessoas com perspectivas completamente diferentes pode parecer estranho, mas traz mais criatividade e ideias novas”, afirma.
O segundo obstáculo é a falta de feedback, ou de retorno. Harford afirma que, geralmente, as empresas não buscam ouvir seus clientes, ou mesmo de seus funcionários, e que, quando ocorre, é de forma lenta. “A primeira vista estas informações podem parecer um obstáculo à ideia, mas se não as recebermos, vamos continuar cometendo os mesmos erros. O retorno é necessário para a correção dos erros”, diz.
Outro ponto é a rapidez no aprendizado e aqui a sugestão é, sempre que possível, realizar os testes sobre plataformas ou produtos baratos, que possam ser reconstituídos rapidamente. “Quanto mas rapidamente identificarmos e corrigirmos os erros, mais rapidamente chegaremos as soluções”.
Por fim, é preciso aculturar as pessoas para que aprendam a lição e aceitem o resultado, mesmo que esteja abaixo do esperado. Harford lembra que o ser humano tende a rejeitar experiências que não atinjam o resultado esperado, mesmo que exista ali algum resultado. “Geralmente superestimamos os pequenos erros, deixando-os prejudicar decisões futuras”, conclui o economista.
Site: Convergência Digital
Data: 23/06/2016
Hora: ——
Seção: Cobertura Especial CIAB Febraban
Autor: Fábio Barros
Foto: ——
Link: http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=site&infoid=42747&sid=135