Irving Wladwasky-Berger foi um dos responsáveis pela transformação da IBM, de fornecedora de sistemas legados em gigante dos sistemas Internet. Agora, o pesquisador avalia o conceito de computação em nuvem, e comenta o papel que os gerentes de TI e seus times terão nesta nova era.
Berger diz que a nuvem é apenas o terceiro modelo de computação a emergir nestes 50 anos de existência da TI, seguindo o primeiro, da computação centralizada; e o segundo, da computação cliente/servidor. Ele acredita que o cloud computing é real e, agora, precisa ser integrado e gerenciar um número cada vez maior de usuários e equipamentos que se proliferam ao redor do globo. “Não há como fugir da nuvem”, diz.
Mas isso pode vir a ser positivo para os gerentes e profissionais de TI. Berger vê uma transformação massiva nas empresas que preparam suas estruturas de TI e aplicativos para a nuvem, muito parecida com a ocorrida nos anos 90, quando estes sistemas tinham que estar prontos para a Internet. No entanto, ao contrário dos anos 90, o processo não tratará apenas de criar um front-end web para aplicativos legados.
“A nuvem vai exigir mudanças organizacionais, especialmente dentro dos departamentos de tecnologia. Muitas companhias nunca tiveram disciplina em suas áreas de TI, permitindo que diferentes departamentos definissem a arquitetura de seus sistemas e aplicativos”, diz. Como resultado, estes sistemas díspares não trabalham bem uns com os outros, as aplicações levam muito tempo para serem desenvolvidas e implementadas e o gerenciamento dos sistemas é caro.
Neste contexto, caberá a TI assumir a liderança da próxima mudança na computação. Para Berger, as organizações de TI deverão adotar uma abordagem mais padronizada, orientada a processos e com gerenciamento industrializado. “Além disso, as estruturas customizadas não serão capazes de atender os requisitos de volume, custos e qualidade exigidos para competir em um mercado dominado pela computação em nuvem”, prevê.
Mais que isso, a mudança para a nuvem vai elevar o papel de gerentes de TI experientes dentro de suas corporações. Para Berger, muitos executivos das áreas de negócios não estão qualificados ou interessados em filtrar e avaliar todas as opções de nuvem existentes no mercado. “Eles querem apenas ter as coisas feitas e estão recorrendo aos profissionais de TI para ajudá-los no processo”, diz.
Com isso, a área vai deixando de ser o departamento cheio de pessoas que codificam, desenvolvem e mantêm sistemas para se tornar o parceiro de negócios que planeja e cria estratégias para as soluções de tecnologia que o negócio precisa para seguir em frente.
A questão é que a nuvem vai aumentar significativamente a visibilidade destes profissionais em suas organizações. Berger lembra que os dias em que a área de TI levava de seis a nove meses trabalhando em um aplicativo ficaram para trás. “Para ser um facilitador da inovação, a TI precisar ser capaz de solucionar problemas mais rápido do que nunca e, ao mesmo tempo, deixar o negócio guiar o processo”, afirma.
Uma pesquisa divulgada pela CA Technologies no final do ano passado constatou que 54% dos CIOs concordaram que a computação em nuvem está permitindo que eles gastem mais tempo trabalhando em estratégias de negócio e inovação. O estudo também constatou que os executivos que já utilizam a computação em nuvem tendem a ser mais focados no avanço de suas companhias do que seus pares.
Aproximadamente 71% dos executivos que adotaram a nuvem veem sua posição como um caminho viável para alcançar outras posições de gerenciamento, contra apenas 44% dos CIOs que não utilizam a nuvem. Além disso, 39% dos CIOs que usam a nuvem veem suas posições como um degrau para o cargo de CEO, contra 24% de seus pares que não utilizam a nuvem.
Com o crescimento da nuvem como o core de muitos negócios – e da habilidade dos gerentes de TI de entregar novas funcionalidades – a tendência é que o mercado veja muitos executivos de TI assumindo posições de liderança em suas empresas. Apesar da já conhecida falta de alinhamento entre TI e negócios, parece que, em alguma medida, este alinhamento começa a surgir, e não porque os executivos de negócios passaram a se interessar por tecnologia.
Ao contrário, Berger afirma que este alinhamento reflete a importância da tecnologia em ajudar o negócio a rodar mais rápido, de forma mais inteligente e com mais agilidade. “Em uma economia global hipercompetitiva, a inovação é uma necessidade diária, e a TI pode assumir o papel de inovador”, conclui.
Site: Convergência Digital
Data: 12/04/2012
Hora: 13h10
Seção: Cloud Computing
Autor: ——
Link: http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=30017&sid=97