
O TI Rio participou, nesta quarta-feira (28/01), do encontro em celebração ao Dia Internacional da Proteção de Dados, realizado no Santuário do Cristo Redentor e articulado pela Módulo Security. A iniciativa reuniu representantes do setor de tecnologia, especialistas e instituições para reforçar a importância da privacidade, da segurança da informação e da correta aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), em um contexto em que o uso intensivo de dados se torna cada vez mais central para a economia digital e para a relação entre empresas, cidadãos e sociedade.
Em um cenário marcado pelo avanço da inteligência artificial, da automação e das decisões orientadas por dados, o debate sobre proteção de dados nunca foi tão importante. Proteger informações passou a significar proteger direitos, reputações e a própria capacidade de inovação das organizações. Durante o encontro, profissionais e especialistas reforçaram um princípio central da LGPD: dados pessoais não pertencem a quem os coleta, mas aos seus titulares, cabendo a empresas e instituições a responsabilidade pela tutela, governança e segurança dessas informações.
As discussões também evidenciaram como o ambiente digital ampliou a complexidade e os riscos associados ao tratamento de dados. “A internet hoje, todo o nosso mundo digital, é muito pantanoso”, alertou o diretor do TI Rio e CEO da TavTec, Theonácio Lima Junior, ao destacar a necessidade de responsabilidade contínua diante de fluxos cada vez mais dinâmicos e interconectados.
Nesse contexto, foi reforçado que a LGPD não pode ser encarada como um simples checklist jurídico, mas como uma prática permanente de gestão. O foco recai sobre princípios como minimização da coleta, definição clara de finalidades, controle de acessos, armazenamento adequado e descarte responsável. “Todo mundo precisa coletar, tratar, armazenar e descartar dados pessoais com segurança”, ressaltou o diretor do TI Rio.
Esse alerta se torna ainda mais relevante em operações que lidam com grandes volumes de informação, como plataformas digitais, serviços de cadastro, sistemas de pagamento, aplicativos, credenciamento e ambientes que coletam imagens, dados biométricos ou comportamentais. Na prática, são verdadeiras “fábricas de dados”, cuja operação depende de fluxos contínuos de informações sensíveis. Sem arquitetura de segurança, governança estruturada e gestão de riscos, essas operações se tornam especialmente vulneráveis.
Simbolismo – Na ocasião, o Cristo Redentor foi iluminado com luz azul, um gesto simbólico já tradicional no Rio de Janeiro, que reforça um valor decisivo da economia digital: a confiança. Para Theonácio Lima Junior, o monumento sintetiza os princípios que devem orientar a proteção de dados na atualidade. “O Cristo Redentor representa não apenas uma dimensão religiosa, mas também segurança, proteção e acolhimento, valores essenciais à forma como os dados pessoais devem ser tratados”, afirmou.
Compromisso institucional
A participação do TI Rio no evento também reafirma seu papel como entidade representativa do setor de tecnologia do estado, atuando de forma ativa na construção de um ecossistema mais maduro, responsável e alinhado às boas práticas de governança digital.
Segundo o vice-presidente do TI Rio, Paulo Golzman, estar presente na celebração do Dia Internacional da Proteção de Dados faz parte desse compromisso. “Esse encontro simboliza a importância de engajar empresas, profissionais e organizações em uma cultura permanente de proteção de dados, que vai além da obrigação legal e se conecta diretamente à confiança digital”, afirmou.
Selo TI Rio de Engajamento com a LGPD
Nesse movimento de incentivo à conformidade prática e ao amadurecimento do ecossistema, o TI Rio desenvolveu o Selo de Engajamento com a LGPD. A iniciativa busca estimular empresas de tecnologia a incorporarem a proteção de dados como elemento estrutural de sua cultura organizacional, indo além do cumprimento formal da legislação e promovendo uma postura contínua de responsabilidade, ética e segurança da informação.
O TI Rio também disponibiliza uma ferramenta de diagnóstico criada para apoiar as empresas na avaliação de seu grau de maturidade em relação à LGPD. Por meio de um questionário estruturado, a plataforma permite identificar o estágio de engajamento da organização – iniciante, intermediário ou avançado – considerando aspectos como governança, gestão de riscos, controles técnicos e processos internos de tratamento de dados pessoais.
“O Selo TI Rio de Engajamento com a LGPD nasce dessa lógica: estimular as empresas a avançarem, de forma transparente e contínua, na maturidade em governança e segurança da informação”, ressaltou Golzman.
Mais do que um instrumento de avaliação, a ferramenta funciona como um guia de reflexão e evolução contínua, oferecendo às empresas uma visão clara de seus avanços e dos pontos que ainda demandam atenção.
Texto: Bruno Nasser