
O setor de tecnologia da informação do Estado do Rio de Janeiro é sustentado, majoritariamente, por empresas de pequeno porte e estruturas organizacionais enxutas. É o que revela o Mapeamento do Setor de TI do Estado do Rio de Janeiro, estudo realizado pelo TI Rio, em parceria com a Softex e a Riosoft, que aponta que mais de 60% das empresas são micro e pequenas, operando, em sua maioria, com equipes de até 50 colaboradores, inclusive entre organizações com longa trajetória no mercado.
Os dados ajudam a desconstruir a percepção de que crescimento, no setor de tecnologia, está necessariamente associado a grandes estruturas e expansão acelerada de pessoal. Ao contrário, o levantamento indica um ecossistema marcado por maturidade empresarial, disciplina operacional e foco em eficiência, características que têm permitido às empresas manter competitividade em um cenário de rápidas transformações tecnológicas.
MATURIDADE – Grande parte dessas organizações possui mais de 15 anos de atuação, o que demonstra que a opção por equipes compactas não está ligada à juventude do negócio, mas a uma estratégia consciente de gestão, baseada em especialização técnica, produtividade e articulação em rede. Em vez de estruturas infladas, o crescimento ocorre por meio de parcerias, projetos colaborativos e integração com outros agentes do ecossistema.
Esse modelo organizacional reflete mudanças mais amplas na dinâmica do trabalho em tecnologia. Com a consolidação do trabalho híbrido, o uso intensivo de ferramentas digitais e a valorização de competências específicas, empresas menores conseguem responder com mais agilidade às demandas do mercado, reduzindo custos fixos e ampliando sua capacidade de adaptação.
INOVAÇÃO CAPILARIZADA – Outro aspecto relevante apontado pelo mapeamento é que essas empresas exercem papel central na capilarização da inovação pelo território fluminense. Estruturas enxutas facilitam a interiorização do setor, a formação de novos polos de talento e a conexão entre diferentes regiões do estado, ampliando o impacto econômico da tecnologia para além da capital.
Para especialistas do setor, os dados reforçam a necessidade de políticas públicas, linhas de financiamento e programas de capacitação voltados às pequenas e médias empresas de tecnologia, que hoje formam a espinha dorsal do ecossistema. O desafio não está em ampliar o tamanho dessas organizações, mas em potencializar sua capacidade de inovação, integração e escala em rede.
GUIA – O Mapeamento do Setor de TI do Estado do Rio de Janeiro se consolida como uma ferramenta estratégica para orientar decisões empresariais e institucionais, oferecendo um retrato realista de um setor que cresce com inteligência organizacional, e não apenas com volume.
Em um cenário em que eficiência, flexibilidade e especialização se tornam ativos cada vez mais valiosos, o ecossistema de TI do Rio de Janeiro mostra que ser pequeno pode ser uma vantagem competitiva, desde que conectado, maduro e estrategicamente orientado.
Texto: Bruno Nasser