A segurança ainda é a maior preocupação das pequenas e médias empresas para adoção de ferramentas de acesso e gestão remota de suas aplicações de negócios. Mas o desconhecimento dos benefícios das novas tecnologias também atrasa muito a mudança de paradigmas. “Mais do que as grandes corporações, que já contam com grandes aparatos e uma série de políticas internas, as pequenas empresas morrem de medo de sofrer invasão. No entanto, o grande desafio ainda é comportamental. O pequeno empresário não está preparado para colocar a gestão remota no seu perfil de negócio”, explica Ana Claudia Plihal, diretora de comercial da Cisco.
Convencer esse empresário, segundo ela, é um trabalho que exige muitas horas de consultoria. “O desenho que a gente propõe e que está embutido em toda a infraestrutura tecnológica, seja no ambiente wi-fi, seja utilizando tecnologia móvel ou no ambiente cabeado, pressupõe o mais alto nível de segurança”, afirma.
A HP, um dos maiores fabricantes de computadores, atua hoje com grande ênfase na área de dispositivos móveis, com soluções para segurança de hardwares acessados fora do escritório, tanto em arquitetura aberta, quanto proprietária. A empresa concorda que o desconhecimento dos efeitos da tecnologia é um dos principais obstáculos ao avanço da gestão remota nas pequenas e médias empresas. “Falta conhecimento para o uso das ferramentas de acesso remoto, inclusive de recursos fundamentais como o da criptografia”, diz Augusto Rosa, diretor da área de computação da HP Brasil. “Os pequenos empresários até querem produtos mais sofisticados, mas precisam de suporte e processos técnicos para utilizar devidamente os recursos dos novos ambientes.”
Para Cassio Dreyfuss, vice-presidente do Gartner, empresa global de consultoria, o CEOs brasileiros, mesmo os das pequenas e médias empresas, estão preocupados com o fenômeno da intensa digitalização, que envolve processos de mobilidade, redes sociais e de informação e a chamada computação em nuvem. “Essa convergência vai alavancar incrivelmente novos modelos de negócios até agora não pensados”, diz ele.
O tamanho das empresas, claro, é um limitador. “As empresas brasileiras são em média menores que suas congêneres internacionais. Não têm nem tempo, nem dinheiro, nem paciência para ter uma área de TI para criar essas oportunidades de negócios, incluindo a gestão remota. Faltam conhecimento e sofisticação tecnológica. Por isso, precisam lançar mão de recursos externos. Para implantar esse novo estilo de gestão, um pequeno negócio vai ter que lançar mão de profissionais do mercado, usar consultoria de maneira muito intensamente. Num nível mais sofisticado, com uso de provedores de serviços na nuvem”, detalha.
Na visão de Dreyfuss, essa é a grande mudança de paradigma nas pequenas e médias empresas para adoção de conceitos inovadores de gestão remota. “Elas estão acostumadas a deliberações presenciais. As novas tecnologias estão possibilitando que explorem ferramentas de gestão remota pela mobilidade”, avalia. “Mas para poder explorar essas ferramentas as empresas precisam ter processos organizacionais bem desenvolvidos, documentados, mais formais. E isso elas ainda não têm.”
Site: Valor Econômico
Data: 28/02/2014
Hora: 05h
Seção: Empresas
Autor: Genilson Cezar
Link: http://www.valor.com.br/empresas/3446950/desconhecimento-atrasa-melhorias-na-gestao