A sofisticação das táticas e da tecnologia utilizada pelos cibercriminosos – e as suas tentativas contínuas para vulnerabilizar as redes e roubar dados – superaram de forma alarmante a capacidade de resposta dos departamentos de TI e profissionais de segurança. A constatação é do Relatório Anual de Segurança da Cisco, divulgado recentemente.
De acordo com o estudo, a escassez a nível mundial de quase um milhão de profissionais de segurança qualificados teve um grande impacto na capacidade das empresas de monitorar e garantir a segurança das redes em 2013, enquanto das vulnerabilidades e ameaças a nível global atingiram os seus mais altos níveis desde 2000. A maioria das organizações não conta com as pessoas ou sistemas necessários para monitorar as redes de maneira constante, detectando ameaças e estabelecendo proteções a tempo e de forma efetiva.
Resultado: centros de hospedagem web em todo o mundo estão sendo comprometidos por cibercriminosos, que os utilizam para lançar grandes ataques contra empresas e contra o governo.
“Eles estão instalando malware para manter o controle sobre os recursos”, disse Levi Gundert, responsável técnico de pesquisa de ameaças, análise e comunicação sobre o crescimento de centros de hospedagem web manipulados por cibercriminosos.
Crackers estão comandado esses centros de hospedagem para usar seus servidores e largura de banda com o intuito de lançar qualquer tipo de ataque, como os poderosos distribuídos de negação de serviço (DDoS), contra alvo localizados em qualquer lugar.
Ao obter o controle desses centros de hospedagem, seu objetivo é manter o controle sobre os recursos que eles querem à sua disposição, ressaltou Gundert. A Cisco acredita que há “milhares” desses centros de hospedagem web comprometidos em todo o mundo, cujos recursos encontram-se agora sob o controle de cibercriminosos, disse.
Esta descoberta da Cisco coincide com observações semelhantes feitas recentemente por membros da Cloud Security Alliance (CSA). O grupo procura estabelecer padrões de segurança e melhores práticas para ambientes de serviços baseados em nuvem.
Em uma conferência que aconteceu em Orlando no mês passado, o CSA anunciou o que chama de Grupo de Trabalho Anti-Bot, porque os ataques DDoS lançados contra sites e redes de negócios muitas vezes se originam dentro dos centros de hospedagem.
O grupo está realizando uma pesquisa sobre isso e pode desenvolver um processo para certificar fornecedores em nuvem que seguem as melhores práticas da CSA.
Conclusões do estudo
O Relatório Anual de Segurança da Cisco fornece uma imagem clara dos crescentes desafios de segurança enfrentados pelas empresas, departamentos de TI e utilizadores. Os métodos de ataque incluem roubo de passwords e credenciais através de engenharia social, infiltrações ocultas em plena vista e a exploração da confiança depositada nas transações econômicas, serviços do Estado e interações sociais.
Os ataques simples que causavam danos controláveis abriram caminho a operações organizadas de cibercrime mais sofisticadas, financiadas e capazes de causar danos econômicos e de reputação tanto para organizações públicas como privadas.
As novas categorias de dispositivos e as novas infraestruturas de cloud computing aumentaram o campo de ação dos atacantes que podem agora tirar partido das vulnerabilidades imprevistas e sistemas de defesa inadequados.
Outros pontos-chave do estudo em 2013
> 100% de uma amostra das maiores redes corporativas do mundo (das maiores multinacionais) gerou tráfego a partir de sites que hospedam malware. – 96% das redes analisadas emitiu tráfego para servidores “sequestrados”, enquanto 92% redirecionou tráfego para páginas de web sem conteúdo que, tipicamente, albergam atividade maliciosa.
> Os ataques de negação de serviços distribuídos (DDoS). – que afetam o tráfego dirigido ou gerado por sites atacados que podem paralizar os ISPs – aumentaram tanto em volume como em gravidade. – Alguns dos ataques DDoS pretendem ocultar outras atividades maliciosas, como golpes eletrônicos antes, durante e depois de um ataque DDoS.
> Os Trojan de propósitos múltiplos constituem a ameaça web mais frequentemente encontrada, representando 27% do total de ameaças detectadas em 2013. – Seguem-se os scripts maliciosos – como exploits e iframes – com 23% dos trojans concebidos para roubar dados (22%). A constante queda dos hosts e direções IP de malwares únicos – de 30% entre Janeiro e Setembro de 2013 – sugere que o malware está concentrado em um menor número de hosts e direções IP.
> A linguagem de programação Java continua a ser a mais explorada pelos cibercriminosos. – Segundo os dados da Sourcefire, agora parte da Cisco, as explorações Java compõem a maioria (91%) dos indicadores de compromisso.
> 99% de todo o malware móvel destinou-se a dispositivos Android. – A Andr/Qdplugin é a ameaça móvel mais frequente (com 43,8%), geralmente distribuída através de cópias “reempacotadas” de aplicações legítimas distribuídas mediante webs não oficiais.
> Setores de mercado concretos – como a indústria química, farmacêutica e eletrônica – acumularam historicamente o maior índice de ameaças. – Em 2012 e 2013 houve um importante crescimento de ameadas dirigidas ao setor agrícola e de mineração – antes com um risco relativamente baixo –, enquanto o malware aumentou também no caso dos setores de energia, gás e petróleo.
Site: CIO
Data: 31/01/2014
Hora: 14h19
Seção: Tecnologia
Autor: Ellen Messmer
Link: http://cio.com.br/tecnologia/2014/01/31/deficit-mundial-de-profissionais-de-seguranca-e-de-mais-de-um-milhao/