A Empresa de Processamento de Dados da Previdência Social – Dataprev- pretende contratar uma empresa de informática especializada na elaboração e na armazenagem de dados na nuvem, para a implantação de uma rede social corporativa, pelo prazo de 28 meses. Porém, aparentemente, os técnicos da Dataprev ainda não conseguiram chegar a uma conclusão sobre quais serão as dimensões desta rede social; a expectativa de crescimento dela e qual será a sua capacidade de armazenamento. Também há dúvida sobre o quanto a estatal estaria disposta a pagar pelo serviço. Aliás, a Dataprev deixa essa tarefa para as empresas interessadas em prestar o serviço. São elas que vão avaliar e cobrar pelo uso da rede e do seu eventual crescimento.
Desde o ano passado, a empresa vem discutindo o assunto com o mercado – a consulta pública foi iniciada no dia 10 de dezembro. De lá para cá, recebeu os questionamentos das empresas interessadas e já realizou uma audiência pública, no dia 3 de janeiro. A Dataprev, até agora, tem sido transparente nas suas decisões e vem publicando tudo que diga respeito ao processo em seu portal, ainda que algumas informações estejam de certa forma conflitantes.
Dois “Termos de Referência” foram publicados, sendo o segundo, uma revisão feita pelos técnicos após as conversas com as empresas interessadas no processo. Na próxima quinta-feira (24/01) espera-se que as empresas apresentem as suas propostas técnicas e de preço pela execução do serviço. A julgar pelo interesse em obter informações da Dataprev e da participação na audiência pública, sete empresas podem vir a participar da disputa: TOTVS, IBM, Unisys, XYS Interatividade, BSI, Arpia e VB Officeware.
Serviço
Quem conseguir o contrato com a Dataprev terá de manter uma rede social com acesso para quatro mil funcionários, sendo que a estatal exige uma capacidade mínima de 400 acessos simultâneos. Nos primeiros quatro meses, a empresa vencedora terá de fazer uma nova estruturação organizacional na Dataprev tendo como meta principal de trabalho “as pessoas e o processo de estabelecimento de conexões produtivas e colaborativas entre elas”. Essa rede corporativa também garantirá o acesso dos usuários, em suas funcionalidades mínimas, por meio de dispositivos móveis nos sistemas Android, IOS e Blackberry. Curiosamente a estatal deixou de fora o Windows Phone.
A rede social corporativa da Dataprev quando for ativada, não será diferente do Facebook em termos de funcionalidades mínimas. Mas terá regras próprias. Tanto é assim que a rede terá as seguintes informações:
1 – Perfil corporativo com capacidade para o usuário administrar as informações que deseja sobre: Nome, sobrenome, foto, cargo, matrícula, lotação, dada de nascimento, de admissão, e-mail, escolaridade, interesses, especialidade e um “fale sobre você”.
2- O usuário gerenciará também em seu perfil informações como: Sua rede de contatos, grupos de trabalho, atualizações de informações nas comunidades de trabalho que participa, comentários, mensagem direta, aviso de aniversariantes (seus contatos), últimos vídeos, fotos e pensagens postados por seus contatos, chat indicando quais os seus contatos estão online e menu com links com demais funcionalidades do aplicativo.
3 – Os usuários terão direito a gerenciar a privacidade dos seus perfis e nas comunidades os usuários terão direito de configurar se ela será pública, aberta aos quatro mil usuários dessa rede, ou privada, que necessitará de aprovação para cada usuário poder participar de um grupo.
A Dataprev também pretende monitorar o comportamento da rede de forma que conteúdos inapropriados à uma rede corporativa sejam publicados pelos usuários. Esse monitoramento será feito de forma a que todo o conteúdo postado possa ser ‘editado ou excluído’, quando constatado que não se encontra com os objetivos propostos na sua criação.
A Dataprev também exigirá da empresa prestadora do serviço todos os requisitos técnicos de segurança que forem necessários, para evitar que as informações da rede social corporativa vaze para a Internet. E punirá se a contratada não cumprir a sérias de exigências que estipulou no seu Termo de Referência.
Armazenamento na nuvem
O maior problema para os técnicos da Dataprev foi estabelecer um volume mínimo de armazenamento de informações para a rede social corporativa e aparentemente erraram na mão, caso a rede corporativa venha a se tornar um sucesso, com a participação da maioria dos funcionários.
No Termo de referência original elaborado pela estatal, a ideia inicial era ter 15 Petabytes de espaço na nuvem; a empresa prestadora do serviço seria obrigada a oferecer essa capacidade para a rede social da Dataprev num datacenter nacional. Um absurdo, se considerado, por exemplo, que o Serpro hoje dispõe de apenas 3 Petabytes de capacidade de armazenamento para as suas atividades.
Esse problema não foi claramente solucionado depois, quando ocorreu a audiência pública com as empresas. Questionados, os técnicos da Dataprev esclareceram que essa capacidade de armazenamento deverá girar em torno de 40 Terabytes, considerando que cada usuário terá uma capacidade de armazenamento estipulada em 1 gigabyte. Muito pouco para quem almeja postar fotos e vídeos, além de informações em texto.
A situação ficou menos clara ainda, quando no Termo de Referência, revisado após a conversa com as empresas, a Dataprev estipulou como capacidade de armazenamento na nuvem (geral), apenas 4 terabytes – com a obrigação de as empresas tentarem adivinhar qual será a tendência de crescimento da rede social corporativa – informação que nem os próprios técnicos foram capazes de revelar na audiência pública.
Redes sociais
A empresa que assumir o contrato com a Dataprev, terá de organizar o sistema da rede corporativa, de forma que ela garanta interação com as mídias sociais abertas (Facebook, Linkedin, Twitter – essas foram as citadas na audiência pública). Porém pelas implicações de segurança inerentes, os técnicos da estatal admitiram que, inicialmente, pretendem restringir esse acesso “para apenas alguns perfis de usuários”, não esclarecendo quantos e nem quais serão os beneficiados.
Mas esses funcionários – que terão o poder de compartilhar- serão monitorados de forma que nenhum documento classificado pela Dataprev como sigiloso, possa ser levado para as redes sociais abertas. Mesmo na postagem pela rede interna da corporação, tais documentos terão de ser criptografados.
A rede social corporativa identificará ainda todos os usuários e não permitirá a criação de “perfis fakes”. Para tanto, todo usuário terá de passar por cadastramento prévio para validar o seu perfil nessa rede.
Clique aqui e veja a íntegra do Termo de Referência publicado pela Dataprev (PDF – 3,3 MB)
Site: Convergência Digital
Data: 21/01/2013
Hora: 12h29
Seção: Cloud Computing
Autor: Luiz Queiroz
Link: http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=32848&sid=97