
Encontro em Évian-les-Bains debate regulação, infraestrutura digital e proteção de menores
Quando os líderes das maiores economias do mundo se reunirem entre os dias 15 e 17 de junho em Évian-les-Bains, na França, a agenda vai além das disputas comerciais e dos acordos diplomáticos de sempre. Pela primeira vez, a inteligência artificial ocupa um dos pilares centrais do G7 e os principais executivos do setor estarão sentados à mesma mesa que os chefes de Estado.
A informação foi publicada pela Reuters. Entre os convidados estão Sam Altman, da OpenAI, Dario Amodei, da Anthropic, Demis Hassabis, do Google DeepMind, e Arthur Mensch, da Mistral AI. A lista preliminar ultrapassa dez CEOs do setor e inclui ainda representantes de Meta, Salesforce, Cohere, Synthesia e Sakana AI.
Uma presença diferente das anteriores
Não é a primeira vez que executivos do setor privado aparecem em encontros do G7. Na cúpula da Apúlia, em 2024, Satya Nadella, da Microsoft, e Larry Fink, do BlackRock, participaram de discussões sobre infraestrutura sustentável. Durante a crise financeira de 2008 e 2009, banqueiros se reuniram com ministros da Fazenda do grupo. Em Davos, CEOs de tecnologia são presença anual, mas Davos não é uma cúpula de líderes governamentais.
O que diferencia junho de 2026 é a combinação de fatores que nunca havia se dado ao mesmo tempo: a IA como eixo central da agenda, empresas de IA generativa e não de tecnologia tradicional como interlocutoras, e os executivos participando do almoço oficial com os chefes de Estado para um debate direto sobre regulação digital. Para Sam Altman, será a primeira participação na história do evento. O governo francês tem descrito o encontro como uma “renovação profunda” do formato do G7.
O Brasil na mesa
O Brasil participará da cúpula como convidado da sessão principal, ao lado de Índia, Coreia do Sul e Quênia. Estar na mesa em que se discutem os rumos globais da inteligência artificial coloca o país numa posição estratégica num debate cujos desdobramentos afetarão diretamente o desenvolvimento econômico e tecnológico de todas as nações nas próximas décadas.
O que está em pauta
A agenda contempla três frentes. A primeira é a regulamentação da inteligência artificial, tema que avança em ritmos distintos ao redor do mundo. A segunda é a infraestrutura digital, com data centers, redes de computação avançada e fornecimento de energia cuja distribuição geográfica já é tratada como questão de segurança estratégica. A terceira é a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, com os líderes trabalhando numa declaração conjunta sobre os riscos associados a plataformas, redes sociais e algoritmos de recomendação.
Mais do que tecnologia
O encontro acontece num momento de acirramento da disputa tecnológica entre as grandes potências. Estados Unidos, China e União Europeia travam uma corrida que envolve semicondutores, modelos de linguagem e aplicações militares. Nesse cenário, a IA deixou de ser tratada como ferramenta de inovação para se tornar um ativo estratégico capaz de influenciar competitividade industrial e posição geopolítica por décadas.
Texto: Bruno Nasser, com informações da Reuters