A adoção de cloud computing na Europa tem sido atrasada por uma série de problemas, o que estaria colocando a região dois anos atrás de seus pares norte-americanos. Essa foi uma das conclusões de um estudo recém-divulgado pelo Gartner.
O estudo aponta que, mesmo com o alto interesse das empresas, as regras de privacidade europeias, os processos de negócios multipaíses, a profunda crise do Euro e a recessão vivida pela maioria dos países são fatores que conspiram para atrasar a adoção de cloud na Europa.
“As oportunidades de valor para a computação em nuvem são válidas em todo o mundo, e o mesmo vale para os riscos e custos. No entanto, alguns destes riscos e custos, como segurança, transparência e integração, que são geralmente aplicáveis globalmente, têm um significado diferente na Europa”, explica Paolo Malinverno, vice-presidente do Gartner.
A pesquisa apontou quatro obstáculos como os principais a serem superados para a adoção da nuvem nos próximos quatro anos. O primeiro deles é a diversidade de regulações de privacidade de dados, o que dificulta mover dados pessoais para a nuvem. O estudo aponta que as regras de privacidade e proteção de dados tornam complexa a implementação da nuvem.
Mais que isso, a análise acredita que as companhias europeias sempre expressaram preocupação com a existência do US Patriot Act, de 2001, que torna indesejável ou quase ilegal para elas usar provedores de serviços instalados naquele país. O ato prevê que as agências legais americanas podem acessar dados pessoais.
O Gartner argumenta que, mesmo com essa possibilidade, acordos legais como esse existem em vários países, o que faria com que qualquer pessoa jurídica tivesse que cumpri-los.
O segundo problema identificado pelo Gartner foi o que ele chamou de “Complexa Integração e Processos Multiempresas B2B”. A questão da diversidade europeia torna-se mais complexa quando se fala em integrar processos em diferentes países. Em muitos casos, leis e práticas de negócios em um país são incompatíveis em outro, porque cada país mantém legislações pré-existentes.
Outro problema são os diferentes efeitos que algumas políticas da União Europeia têm em diferentes países. Isso significa que o uso da nuvem poderia levar um tempo considerável, especialmente se cada estado membro tiver o poder de adicionar regras locais às regras que venham a ser tratadas pela União Europeia.
A crise de Euro também está fazendo sua parte. Muitos países não têm certeza sobre onde suas empresas farão os investimentos que, agora, estão suspensos. “A questão é que o interesse na nuvem é tão alto na Europa quanto em qualquer outro lugar do mundo. Esses inibidores certamente vão atrasar a adoção, mas não impedi-la, já que os benefícios continuam se mostrando mais fortes”, afirma David Mitchell Smith, vice-presidente do Gartner.
Site: Convergência Digital
Data: 31/05/2012
Hora: 15h
Seção: Cloud Computing
Autor: ——
Link: http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=30624&sid=97