Até os projetos de software fornecidos para o governo estão mudando. Já existem órgãos do governo contratando desenvolvimento de software baseado no modelo de desenvolvimento ágil. É o caso do Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal Superior do Trabalho (TST), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Banco Central do Brasil (Bacen), o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e o Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus).
Nas empresas privadas não é diferente. A Version One realiza anualmente uma pesquisa sobre o estado da agilidade. A 7ª edição, publicada este ano, mostrou que 84% das que responderam praticam o desenvolvimento ágil.
A cada ano o relatório CHAOS Manifesto da consultoria Standish Group mostra mais vantagens para o ágil em relação ao Waterfall – projetos tidos como tradicionais. Em 2011 o percentual de sucesso dos projetos ágeis foi de 42% contra 14% dos tradicionais. E os projetos ágeis falharam em 9% contra 29% dos projetos Waterfall.
O crescimento à adesão aos métodos ágeis se justifica. Uma vantagem inegável do desenvolvimento ágil é a adaptabilidade às mudanças. Metodologias tradicionais tentam prever todas as possibilidades sem deixar espaço para descobertas durante o desenvolvimento.
Estão perdendo força projetos que começam com uma lista de requisitos muito rígidos e detalhados. O desenvolvimento de software é um processo complexo não definido e não repetitivo. Dada a dificuldade de prever tudo antecipadamente, é importante ter entregas frequentes e validações rápidas – característica básica dos métodos ágeis.
As metodologias ágeis também têm como princípio básico a valorização das pessoas. Está explícito na primeira das quatro proposições do Manifesto Ágil que os indivíduos e a interação entre eles são mais importantes que processos e ferramentas. É o reconhecimento que desenvolvimento de software é um trabalho intelectual ao invés de atividade determinística repetitiva.
Mudanças nos testes de software
Além disso, o ambiente das empresas está ficando mais descontraído. Muitas estão se engajando em projetos sociais e incentivando práticas esportivas. A maior valorização das pessoas não é uma exclusividade das empresas de software. Mas é mais um motivo para adoção de métodos que ponham as pessoas em primeiro plano.
Os conceitos de controle de qualidade também mudaram. Antes os produtos eram testados depois de fabricados. Segundo Deming e outros, a qualidade não deve se originar da inspeção, mas do melhoramento do processo. No desenvolvimento de software não pode ser diferente. As práticas ágeis impõem o hábito de fazer testes o tempo todo. Isto garante a qualidade das partes e não apenas no fim do projeto.
A busca pela inovação também impulsiona o desenvolvimento ágil. Mesmo que ainda não esteja comprovado que sua adoção torne o time mais inovador, se sabe que pode favorecer a inovação um ambiente mais aberto e descontraído, onde as pessoas têm liberdade de experimentar. Isto é comum nos times ágeis.
Definitivamente, estão caindo antigas barreiras e resistências ao desenvolvimento ágil de software e o mercado parece pedir agilidade.
Ocorre mesmo em projetos do governo baseados em licitações. Uma legião enorme de desenvolvedores passou por cursos e treinamentos. E grande parte dos fornecedores de serviços de desenvolvimento de software no Brasil adota metodologias ágeis.
Está chegando ao desenvolvimento de software o processo geral de desburocratização que muitas empresas já ultrapassaram. Realmente vivemos novos tempos.
(*) Luca Bastos é ex-empreendedor e atualmente principal consultant da ThoughtWorks Brasil
Site: CIO
Data: 28/10/2013
Hora: 9h15
Seção: Opinião
Autor: Luca Bastos
Link: http://cio.uol.com.br/opiniao/2013/10/28/cresce-a-adesao-aos-metodos-ageis/