Credenciamento da Riosoft no CATI/MCTI abre nova frente para inovação no Rio

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Reconhecimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação amplia a capacidade da instituição de captar recursos, executar projetos de PD&I e aproximar empresas, universidades e centros de pesquisa

A Riosoft inicia uma nova etapa em sua trajetória de apoio ao desenvolvimento tecnológico. Por meio da Resolução CATI nº 42, de 24 de julho de 2026, o Comitê da Área de Tecnologia da Informação, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, credenciou a instituição para executar atividades de pesquisa e desenvolvimento nos termos da Lei de Informática.

Na prática, o reconhecimento permite que a Riosoft receba recursos provenientes dos investimentos obrigatórios realizados por empresas beneficiárias dos incentivos da legislação e os aplique em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, capacitação profissional e desenvolvimento de novas tecnologias.

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Resolução do MCTI credencia a Riosoft para executar atividades de pesquisa e desenvolvimento no âmbito da Lei de Informática.

Uma trajetória de mais de três décadas

Com mais de 30 anos de atuação, a Riosoft construiu uma trajetória voltada ao fortalecimento do setor de tecnologia da informação. A instituição conta com o apoio da TI Rio e atua na estruturação de projetos, na capacitação de profissionais, no apoio às empresas e na aproximação entre o setor produtivo, universidades, governos e instituições de pesquisa.

O credenciamento amplia a escala dessa atuação. A instituição passa a contar com novas possibilidades de financiamento e poderá assumir uma participação mais direta na estruturação e na execução de projetos de pesquisa e inovação.

Para John Forman, presidente do Conselho Técnico-Científico e de Inovação da Riosoft, o reconhecimento amplia significativamente a capacidade institucional.

“O credenciamento no CATI, no âmbito da Lei de TICs, reconhece a Riosoft como instituição apta a executar projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação vinculados aos investimentos obrigatórios realizados por empresas beneficiárias dos incentivos da Lei de Informática”, explica.

Segundo Forman, a instituição poderá participar formalmente de projetos estratégicos, atuar como parceira tecnológica de empresas incentivadas e reforçar seu papel de articulação entre o mercado, as universidades, os centros de pesquisa e as startups.

Um objetivo antigo da instituição

O diretor executivo da Riosoft, Benito Paret, explica que a obtenção do credenciamento era um objetivo antigo da entidade, cuja concretização vinha sendo dificultada por entraves burocráticos.

Para ele, o reconhecimento como Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação representa um passo importante no processo de fortalecimento e reestruturação da Riosoft.

“O reconhecimento da Riosoft como ICT é um passo importante para a reestruturação da entidade. Como instituição reconhecida pelo MCTI, a possibilidade de participar de editais destinados a esse tipo de organização abre uma perspectiva muito importante para a captação de recursos”, afirma.

O caminho até a publicação da resolução levou 18 meses. Segundo Paulo Milet, diretor da Riosoft e responsável pelo relacionamento da instituição com o CATI/MCTI, a preparação interna começou em janeiro de 2025, e o pedido foi protocolado em março daquele ano. Depois de ajustes burocráticos, a solicitação foi reapresentada em janeiro de 2026.

“Começamos em janeiro de 2025. Foram 18 meses entre a organização interna, o primeiro pedido, as questões burocráticas e a reapresentação da solicitação. Agora, finalmente, o credenciamento saiu”, relata Milet.

Como funciona a Lei de Informática

Paulo Milet explica que o credenciamento é uma condição necessária para que a Riosoft possa receber aportes vinculados à Lei de Informática, também conhecida como Lei de TICs.

As empresas habilitadas pelo MCTI devem investir parte do faturamento relacionado aos produtos e processos incentivados em atividades de pesquisa, desenvolvimento e capacitação tecnológica e descontam de impostos a pagar.

“Pela Lei de Informática, uma Instituição Científica e Tecnológica como a Riosoft só pode receber aportes de recursos de empresas habilitadas se ela própria estiver credenciada pelo CATI”, esclarece.

De acordo com Milet, as empresas podem aplicar até 4% do faturamento dos processos tecnológicos habilitados em projetos de pesquisa, desenvolvimento e capacitação em tecnologias da informação e comunicação.

Os recursos podem seguir três caminhos. No primeiro, são aplicados diretamente em instituições credenciadas no CATI, grupo do qual a Riosoft passa a fazer parte. No segundo, são destinados ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o FNDCT, e chegam às instituições executoras por meio de programas administrados por organizações como a Softex e a Embrapii, e no terceiro, podem aplicar parte internamente.

“Agora, na prática, podemos receber recursos financeiros não reembolsáveis de empresas habilitadas para executar projetos de pesquisa, desenvolvimento e capacitação em TIC”, explica.

Além de captar recursos diretamente das empresas beneficiárias, a Riosoft poderá participar de programas, chamadas e editais financiados com recursos da Lei de Informática administrados pela Softex e pela Embrapii.

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Aranduland já foi apresentado no credenciamento

O reconhecimento da Riosoft já nasce associado a iniciativas concretas. Na proposta encaminhada ao CATI, a instituição apresentou o Aranduland, uma cidade virtual em três dimensões voltada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas.

Paulo Milet explica que o Aranduland foi apresentado como uma plataforma tecnológica capaz de sustentar diferentes estudos, pesquisas e projetos.

“O Aranduland é uma cidade virtual 3D focada nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. O projeto abrange games, realidade virtual, realidade aumentada, inteligência artificial, simulações para cidades inteligentes e gêmeos digitais. Na prática, é uma plataforma básica sobre a qual poderemos desenvolver vários estudos, projetos e pesquisas”, afirma.

Em vez de constituir uma solução fechada, a plataforma poderá receber diferentes experiências e permitir que empresas, pesquisadores, universidades e governos testem tecnologias e avaliem sua aplicação em situações concretas.

Os gêmeos digitais, por exemplo, permitem criar representações virtuais de ambientes, estruturas ou sistemas reais. Essas representações podem ser utilizadas para acompanhar seu funcionamento, antecipar problemas e testar cenários antes da implantação de uma solução no espaço físico.

Nas cidades, a tecnologia pode contribuir para áreas como mobilidade, planejamento urbano, sustentabilidade, defesa civil, gestão de recursos e prestação de serviços públicos.

Milet destaca que o Aranduland também poderá apoiar projetos desenvolvidos em conjunto com administrações municipais, dentro do escopo da Portaria nº 1.012/2025 do Ministério das Cidades, uma das referências para iniciativas relacionadas às cidades inteligentes.

“Isso poderá viabilizar, inclusive, parcerias com prefeituras para testes e implantações”, explica.

A apresentação do Aranduland no próprio processo de credenciamento demonstra que a Riosoft já possui uma aplicação concreta para a nova habilitação. Com a possibilidade de captar recursos da Lei de Informática, o projeto poderá ganhar escala, incorporar parceiros e gerar novas frentes de pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

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Apresentado pela Riosoft no processo de credenciamento junto ao CATI, o Aranduland poderá sustentar projetos em inteligência artificial, realidade virtual, realidade aumentada, games, gêmeos digitais e cidades inteligentes.

Capacitação como atividade permanente

Além do Aranduland, a Riosoft incluiu em sua proposta de credenciamento uma atividade permanente de capacitação e apoio às empresas e organizações.

A iniciativa terá como foco a formação e a atualização de profissionais em novas tecnologias. A proposta prevê uma atuação articulada com universidades, prefeituras, TI Rio e outras organizações nacionais e internacionais.

Paulo Milet explica que essa frente poderá envolver, inclusive, a Universidade das Nações Unidas, por intermédio de seu Centro Regional de Especialização no Rio de Janeiro, o RCE-UNU.

“A atividade permanente será voltada à capacitação e ao apoio às empresas e organizações para a formação e a atualização de pessoal em tecnologia, atuando em parceria com universidades, prefeituras, TI Rio e até com a Universidade das Nações Unidas”, afirma.

As duas iniciativas apresentadas ao CATI revelam a amplitude da estratégia. De um lado, a Riosoft pretende desenvolver projetos tecnológicos experimentais e aplicações voltadas às cidades inteligentes e sustentáveis. De outro, busca preparar profissionais e empresas para incorporar essas tecnologias aos seus produtos, serviços e processos.

Novas oportunidades para as empresas

O credenciamento cria um canal estruturado para que empresas de tecnologia participem de projetos vinculados à Lei de Informática como executoras, parceiras tecnológicas ou integrantes de iniciativas cooperativas. Também favorece a formação de consórcios e a aproximação com companhias que precisam investir em pesquisa e inovação.

Para John Forman, isso “facilita a formação de consórcios, a aproximação com grandes empresas que investem em inovação e a realização de projetos com maior densidade tecnológica”, especialmente em áreas como inteligência artificial, cibersegurança, internet das coisas, software avançado e transformação digital.

O credenciamento também poderá resultar na criação de programas de capacitação e reciclagem de profissionais técnicos e gestores, além de projetos cooperativos voltados à transferência do conhecimento produzido nas universidades e nos centros de pesquisa para as empresas e a sociedade.

“A Riosoft sempre estruturou iniciativas com foco em inovação aberta e aplicada, gerando desenvolvimento tecnológico e negócios de alto impacto para o setor. Teremos novidades em relação a isso em breve”, antecipa Forman.

Benito Paret destaca outro diferencial: o ecossistema fluminense passa a contar com uma ICT privada diretamente conectada às necessidades do setor produtivo.

“O ecossistema passa a contar com uma ICT privada que poderá ser uma parceira importante. A Riosoft agora poderá estabelecer parcerias capazes de beneficiar a todos”, afirma.

A instituição também poderá atuar como coexecutora em projetos desenvolvidos com organizações já credenciadas no CATI, como IFRJ, PUC-Rio e UERJ. Essa possibilidade permitirá reunir diferentes competências e estruturar iniciativas de maior complexidade.

Benito ressalta que as novas possibilidades ganham ainda mais relevância diante das rápidas transformações tecnológicas, especialmente da expansão da inteligência artificial.

“Os avanços da tecnologia, em especial da inteligência artificial, exigem que sejam captados recursos que permitam apoiar a evolução dos produtos e serviços das empresas, além da atualização dos seus quadros profissionais”, afirma.

Ao sintetizar o significado da conquista, o diretor executivo declara: “Riosoft fortalecida, empresas fortes”.

Rio ainda participa pouco dos benefícios

O credenciamento também chama atenção para um desafio: a baixa participação das empresas fluminenses entre as beneficiárias da Lei de Informática.

Segundo os dados apresentados por Paulo Milet, das 539 empresas habilitadas no país, apenas cinco estão localizadas no Estado do Rio de Janeiro.

A Riosoft pretende atuar para ampliar essa participação, identificando empresas e processos tecnológicos que possam ser enquadrados nos critérios da legislação e orientando o setor sobre os procedimentos necessários para acessar os incentivos.

“Vamos incentivar empresas do Estado do Rio de Janeiro que tenham processos de tecnologia enquadráveis nos parâmetros da Lei a se habilitarem para os benefícios fiscais”, afirma Milet.

O objetivo, portanto, não se limita à captação de recursos para iniciativas da própria Riosoft. A instituição também pretende ampliar o acesso das empresas fluminenses a uma política nacional de estímulo à inovação ainda pouco aproveitada no estado.

Para John Forman, esse movimento pode gerar empregos qualificados, estimular o desenvolvimento de propriedade intelectual, fomentar parcerias entre academia e indústria e aumentar a competitividade das empresas.

“O credenciamento da Riosoft no CATI transforma o potencial inovador do Rio de Janeiro em capacidade concreta de executar projetos estratégicos de tecnologia, conectando empresas, conhecimento e investimento para gerar riqueza e desenvolvimento social e sustentável”, afirma.

O objetivo agora será transformar o credenciamento em projetos, parcerias e recursos efetivamente aplicados no estado.

“A Riosoft atua há 30 anos em projetos de TIC e agora poderá dar um salto, expandindo sua área de atuação e captando recursos que não estão sendo totalmente utilizados no país”, resume Paulo Milet.

Texto: Bruno Nasser

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