O poder executivo federal segue com dificuldade para contratar analistas de TI. No último domingo, 28/07, foram realizadas as provas da primeira fase do segundo concurso público para o cargo de Analista em Tecnologia da Informação. Segundo a FUNRIO – organizadora do certame – e o Ministério do Planejamento, 6.509 candidatos estavam inscritos para as 200 vagas ofertadas sendo que 36,2% se ausentaram das provas. Ainda segundo a organizadora do concurso a relação de candidatos x vaga foi de 33,86 para as vagas de ampla concorrência e 7,50 para as vagas destinadas a portadores de necessidades especiais.
Embora integre o PGPE, o cargo de Analista em TI tem características de transversalidade: seus integrantes podem ser designados para qualquer ministério onde haja atividades relativas à competência do cargo. O provimento dependerá de autorização, com base em prévia confirmação da existência de vagas e das condições orçamentárias. A remuneração inicial é de R$ 7.340,62, podendo chegar a R$ 7.838,22 após o primeiro ciclo de avaliação.
O concurso não aconteceu de forma tranquila. De acordo com a ANATI – Associação Nacional de Analistas de TI, houve denúncias de plágio de questões – já confirmado pela Secretaria de Logística de TI, do ministério do Planejamento (leia a matéria no portal Convergência Digital) e, principalmente, um elevado nível de desistências: 36,2% dos inscritos simplesmente não compareceram sequer para prestar as provas da primeira etapa. Dos 6.509 candidatos, 2.356 não compareceram às provas, com isso apenas 4.153 permanecem concorrendo às vagas. Atualizando os dados de concorrência, se antes tínhamos uma proporção de 33,8 candidatos/vaga (ampla concorrência) agora temos apenas 20,7 candidatos/vaga.
Segundo ainda a ANATI, a baixa concorrência já era esperada, uma vez que o número de inscrições não correspondeu as expectativas. Para a entidade, dois fatores podem explicar isso: os interessados no concurso se informaram sobre a situação do cargo e o fato de cerca de 70% da remuneração ser composta por gratificações, sendo que a principal delas, a GSISP, não ser incorporada aos proventos de aposentadoria, afastou muitos desses interessados. Conta ainda o fato de o mercado de TI em Brasília mostra-se extremamente competitivo e os salários pagos, tanto na iniciativa privada quanto em outros concursos, estão, em sua maioria, acima da remuneração ofertada pelo cargo.
A prova objetiva, realizada no dia 28, foi composta por 80 questões de múltipla escolha envolvendo as áreas de conhecimentos gerais e específicos constantes no Edital. Já a questão discursiva solicitou que os candidatos descrevessem as cinco etapas da fase de planejamento do processo de contratação de soluções de TI instituído pela IN SLTI/MP n° 04/2010. A próxima fase consistirá na entrega dos títulos, que será regulamentada por edital ainda a ser publicado. A expectativa da ANATI é de que os 200 aprovados no concurso tomem posse ainda em 2013.
Grupo de trabalho
A ANATI segue trabalhando junto à SLTI para a criação de uma carreira de TI para o Poder Executivo Federal com uma estrutura remuneratória mais adequada ao nível de responsabilidade exigido pela função e que possa atender às necessidades do Estado brasileiro e às expectativas tanto da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação quanto dos Analistas em Tecnologia da Informação, resultando na consequente redução do atual nível de evasão do cargo.
No último dia 23 de julho, a SLTI informou a criação de um Grupo de Trabalho para analisar a situação e propôs que a ANATI se fizesse representar por meio de três membros indicados pela Associação. Segundo os dados da ANATI, os trabalhos começam ainda em agosto e tem como meta instituir uma carreira de TI, com tabela remuneratória compatível com as responsabilidades dos ATIs e que os novos concursados – provenientes do concurso público ora em andamento – já tomem posse com esta carreira em implantação.
Para entender a importância do analista de TI vale ressaltar que uma das suas responsabilidades está vinculada à Segurança da Informação. Isso significa que um quadro mais estável de ATIs proporcionará ao Estado brasileiro um incremento substancial na busca de soluções para as atuais crises de Segurança Cibernética e Segurança da Informação, vinda a público por meio de Edward Snowden – analista terceirizado da NSA (Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos), que revelou ao mundo algumas das estratégias dos EUA com relação a um dos programas de monitoramento de informação que a Agência utiliza contra cidadãos americanos e estrangeiros.
A ANATI pondera que cada uma das instituições públicas que possui um parque instalado de TI, principalmente aqueles que têm acesso à internet, é um ponto de vulnerabilidade – porta de entrada – que expõe o núcleo de informações institucionais a invasões e violações da privacidade e confidencialidade dos dados do Estado brasileiro.
*Com informações da ANATI
Site: Convergência Digital
Data: 01/08/2013
Hora: ——
Seção: Carreira
Autor: Ana Paula Lobo
Link: http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=34422&sid=46#.Ufq8zNJkzko