Como driblar a carência da mão de obra na TI

Freud Oliveira, diretor adjunto da Assespro nacional – habituado a levar demandas referentes à mão de obra do setor a Brasília – acampa na Campus Party Brasil. Tudo para combater a carência de profissionais do setor.

“Nesse público (da Campus) está o meu próximo gerente, programador, analista. É lá que eu vou achar esses caras”, diz Oliveira.

Oliveira participou de painel dedicado ao tema nessa terça-feira, 15, na BITS 2012.

O mote foram previsões como as feitas pelo ministério de Ciência e Tecnologia, apontando que a  carência por profissionais de TIC chegará a 3 milhões no Brasil.

Para os debatedores, o problema começa no interesse pela área.

SEM CHARME
“Hoje em dia, o jovem prefere fazer uma coisa mais light – hotelaria, por exemplo, do que uma engenharia da computação”, disse o professor Philippe Navaux, da UFRGS.

Para Freud Oliveira, da Assespro Nacional, o Brasil precisa gerar interesse num setor que “não tem glamour”. “É preciso motivar desde muito cedo o gosto pelo raciocínio lógico”, sugere Oliveira.

Além disso, aponta Oliveira, o setor carece de glamour.

“Até no Japão se sabe que é uma área sem muito apelo à popularidade… quem estuda muito não faz muito sucesso com as meninas”, brinca.

Ampliando a questão, Fernando Dotti, da PUC-RS, aponta que o problema começa bem antes de se chegar à universidade. De acordo com dados do ministério da Educação, na faixa dos 12 aos 18 anos, uma faixa da população passa de apenas estudantes a cidadãos que se quer procuram trabalho.

“Temos que resolver esse problema desde antes para resolver o problema lá na frente. O desafio maior desse país tá nos ensinos fundamental e médio”, insiste Dotti.

CONTRATAÇÃO PRECOCE
Mesmo aqueles que não levam medo das disciplinas do curso, dizem os palestrantes, acabam “se perdendo pelo caminho”.

Hoje, 27% das empresas possuem 87% ou mais de profissionais com diploma universitário. No entanto, a contratação de formandos é de apenas 11%, enquanto que 33% já estão contratando no meio do curso.

“Pode ser bom para ter contato com o dia a dia, mas não é a melhor saída porque ele não consegue concluir com toda a qualidade a sua formação”, diz Navaux, citando dados do MICT.

Além disso, 57% das empresas não ajudam em nada financeiramente nos estudos do aluno, e apenas cerca de 20% dão algum benefício.

“Se as empresas estão buscando alunos durante a universidade, deveriam ter um certo apoio para desenvolverem sua formação”, defende o professor. “Seria uma forma de incentivo acadêmico”.

O resultado, aponta Navaux, é que alguém vai ficar sem diploma lá na frente.

“A evasão nesses cursos é de 40%. Não é todo mundo que entra que sai, entre outras coisas, por estar empregado”, argumenta.

VIVA O TECNÓLOGO?
Ao mesmo tempo, a saída que as universidades têm encontrado meios para levar mais profissionais ao mercado  – ou seja, o tecnólogo – não resolve 100% o problema.

Consideradas as matrículas, os cursos tecnólogos têm demonstrado o crescimento mais rápido.

“Isso é formação em massa. E por isso está se utilizando mecanismos de formação mais rápida para atender a brecha. Mas o tecnólogo atende até um certo nível. Nós precisamos do profissional que vai escolar bit, mas também do que vai pensar um sistema”, diz o professor.

Atualmente, aponta Navaux, citando dados do Ministério da Ciência e Tecnologia, 75% das empresas contratam profissionais com graduação, 9% sendo tecnólogos.

A SOLUÇÃO
Dotti explica que a Puc-RS tem investido em sistemas de cooperação entre universidade e empresa.

O professor cita a experiência da Puc, em que alunos participam de projetos de pesquisa universitária desenvolvidas para empresas, que concedem bolsas aos alunos.

“A questão é associar a vida do aluno dentro da empresa à universidade”, completa.

Além disso, o setor tem se mobilizado por um plano de carreira mais satisfatório, e políticas públicas que incentivem a formação dentro do perfil demandado pelas empresas.

De acordo com dados da Assespro, 46% das principais demandas hoje vêm de quatro grandes cursos: análise e desenvolvimento de sistemas, sistemas de informação, gestão de tecnologias da informação e ciências da computação.

O Baguete Diário faz a cobertura completa do evento com apoio da Softsul.

Site: Baguete
Data: 15/05/2012
Hora: 16h22
Seção: Notícias
Autor: Guilherme Neves
Link: http://www.baguete.com.br/noticias/15/05/2012/como-driblar-a-carencia-da-mao-de-obra-na-ti

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