Maior fabricante de equipamentos de rede do planeta, a americana Cisco segue na liderança desse mercado, mas igualmente demonstrando dificuldades, como demonstram as 6 mil novas demissões anunciadas nesta semana, junto dos resultados trimestrais. O pior é o desempenho nos países emergentes. As vendas caíram 23% na China e 16% no Brasil.
“Infelizmente, não veremos o crescimento voltar aos mercados emergentes por vários trimestres e acreditamos que ainda pode piorar”, resumiu o presidente da Cisco, John Chambers, na quarta-feira, 13/8, ao anunciar mais uma onda de demissões – a empresa dispensou 20 mil funcionários nos últimos cinco anos.
“Pode ser difícil lembrar agora, mas há duas décadas a Cisco era o equivalente ao que a Google é hoje: um gigante do Vale do Silício em uma marcha aparentemente infinita ao poder. Seu crescimento ecoava o crescimento da Internet”, destaca uma reportagem da MSNBC que trata da “angústia” dos investidores, apesar de os resultados não serem ruins como as previsões diziam.
Essa “angústia”, nas palavras da CNBC, vem acompanhando o crescimento dos fabricantes chineses de equipamentos, especialmente a Huawei, mas também a ZTE, que estão mordendo fatias da empresa americana. Diferentes análises também lembram que, sobre esse movimento que já se iniciara, sobrepuseram-se as denúncias do ano passado sobre a indiscriminada espionagem dos EUA.
Antes delas, a Cisco acusou os fabricantes chineses de condutas anticompetitivas e o Congresso americano acabou aprovando, em 2012, um relatório em que apontava Huawei e ZTE como ‘riscos à segurança nacional’. As concorrentes praticamente foram barradas do mercado americano. Mas um ano depois a China começou a dar o troco, na esteira das revelações de Edward Snowden.
“Executivos da Cisco culparam publicamente os resultados desapontadores da companhia, em parte, pelas revelações sobre as atividades de vigilância da Agência de Segurança Nacional, que segundo eles assustou clientes chineses”, sustenta a CNBC. Não custa lembrar que em seu livro Sem lugar para se esconder o jornalista Glenn Greenwald divulgou imagens de aparelhos Cisco sendo ‘grampeados’ pela NSA.
Quinto maior mercado de telecom do mundo, o Brasil, outro indignado com a espionagem – nem Dilma Rousseff escapou – também não tem ajudado a fabricante americana. Por aqui, as chinesas também avançam. Em cinco anos, a participação conjunta de Huawei e ZTE passou de 10% para cerca de um quarto do mercado global de roteadores – fatia inteiramente mordida da Cisco.
* Com informações da CNBC, Blooberg e Reuters
Site: Convergência Digital
Data: 15/08/2014
Hora: 11h47
Sessão: Negócios
Autor: Luís Osvaldo Grossmann
Link: http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=37522&sid=5#.U-5bQsWrrkU