CIO brasileiro vive crise de identidade, diz Gartner

Apesar de o mercado vir pregando há anos que o CIO precisa mudar o seu perfil para ocupar posição mais estratégica nas companhias, análises do Gartner mostram que os líderes de TI no Brasil ainda têm muito que evoluir nesta direção. Porém, os executivos têm que se transformar rapidamente para saber como gerar valor aos negócios.

 “Os CIOs brasileiros ficaram por 40 anos cuidando de maquinários. Eles sabem fazer muito bem balanceamento de carga, por exemplo. Agora precisam mudar e olhar para os negócios”, diz Cássio Dreyfuss, vice-presidente do Gartner, que constata que os líderes locais estão tendo dificuldade para fazer essa transição.

O analista compara que os gestores do Brasil estão mais atrasados nesse processo que seus pares de outros países e que precisam avanças para trabalhar afinado com outros executivos como o Chief Marketing Officer (CMO) e o Chiedl Digital Officer (DCO), novo cargo que as companhias vão criar.

A tecnologia está se espalhando pelas organizações estimuladas pelo que o Gartner chama de quatro forças que estão mudando drasticamente o ambiente corporativo e desafiam as companhias. São as redes sociais, mobilidade, cloud computing e Big Data. Essa última traz o desafio de formar somente no Brasil 500 mil talentos especializados em análises de dados.

O departamento de tecnologias, segundo Dreyfuss, tem condições de ocupar posição de destaque dentro das companhias no novo cenário que está se desenhando porque já está acostumado a apagar incêndio com time unido.

“A TI é a única área que se une para resolver problemas. Ela é muito útil em processo e algoritmo, por exemplo”, destacou Dreyfuss durante o Gartner Symposium ITxpo 2012, que encerra nesta quarta-feira, (31/10), em São Paulo, e que revelou que as empresas locais vão gastar mais com tecnologia em 2013.

O consultor observa que o CIO e a TI estão em crise de identidade. “A TI tem que saber que seu valor é a capacidade de resolver problemas”, orienta Dreyfuss, que percebe nos executivos brasileiros têmm mais resistência para sair do lado operacional e atuar mais próximo das áreas de negócios.

Dreyfuss alerta que os presidentes das empresas esperam que os CIOs desencadeiem as forças que diferenciam o seu negócio no mercado para que eles não gastem todo o seu tempo automatizando o escritório.

Hoje o mercado conta com empresas de outsourcing especialistas em cuidar das atividades operacionais e Dreyfuss acha que os CIOs devem lançar mão dessa expertise para acelerar os processos de negócios. Ele menciona serviços de cloud computing, que segundo ele, estão atrasados no Brasil.

“Nuvem não virou ainda uma componente estratégica para o CIO no Brasil. Por isso, sua adoção está atrasada”, constata Dreyfuss, que acha que no futuro os líderes de TI vão ganhar uma nova nomenclatura. Ele arrisca no título de Business Officer Solutions (BOS), com mais foco nos negócios.

Mais assertividade

O Gartner vem chamando a atenção dos CIOs para uma proximidade com os negócios porque prevê que em três anos 90% das entregas de TI não serão bem sucedidas. O principal motivo é o aumento da complexidade dentro das companhias.

“A TI precisa mover-se rapidamente para entregar a oferta de acordo com a demanda dos negócios”, afirma Dreyfuss. Ele observa que o atual cenário dentro das empresas é de indisciplina por conta das pressões que as empresas enfrentam para serem mais competitivas. Esse ambiente exige estímulos rápidos e a TI não está preparada para agir dentro da velocidade exigida pelos negócios.

Como exemplo disso, Dreyfuss menciona o atual organograma da TI estruturado em três áreas: desenvolvimento, produção e suporte, que engessa os gestores e sua equipe.

Esse modelo, segundo Dreyfuss, terá de ser revisto  para que a TI possa entregar valor aos negócios. Para que essa mudança aconteça, ele recomenda que os CIOs se apoiem no tripé: foco, conexão e liderança.

Para ter foco, os CIOs têm que ficar mais atentos com a oferta que entregam e procurar entender como podem alavancar os negócios. “O foco define estratégias de TI e ajuda a responder perguntas chaves do negócio”, destaca Dreyfuss.

O CIO tem entender como funcionam as conexões do mundo atual. Hoje as companhias não trabalham mais apenas com a sua cadeia de valor, mas com uma imensa rede de parceiros de negócios.

“A área de TI tem que olhar para fora. O CIO precisa saber como vai trabalhar com outros CIOs para ter sucesso nos negócios”, ensina o vice-presidente do Gartner.

Ao se relacionar com outros gestores, o CIO passa a praticar a colaboração. Esse modelo cria um processo de trabalho em rede que contribuiu para que ele alcance a liderança, acredita o Gartner.

Site: Computerworld
Data: 31/10/2012
Hora: 7h30
Seção: Especiais
Autor: Edileuza Soares
Link: http://computerworld.uol.com.br/especiais/2012/10/31/cio-brasileiro-vive-crise-de-identidade-diz-gartner/

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