China acelera corrida por chips de IA e amplia disputa tecnológica interna

china acelera corrida por chips de ia e amplia disputa tecnológica interna

A corrida global pela inteligência artificial está entrando em uma nova fase. Se nos últimos anos a disputa esteve concentrada entre empresas americanas e chinesas, agora a competição começa a se intensificar dentro da própria China. Gigantes como a Alibaba, Huawei, ByteDance e Tencent disputam espaço em um mercado estratégico: o desenvolvimento de chips capazes de sustentar a próxima geração de sistemas de inteligência artificial.

Segundo matéria publicada pela Reuters, o movimento ocorre em meio às restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de tecnologias avançadas para a China. As sanções reduziram o acesso chinês a equipamentos e componentes considerados essenciais para a fabricação de semicondutores de última geração, estimulando uma corrida doméstica por alternativas tecnológicas.

Alibaba entra na disputa pelos chips de IA

Conhecida internacionalmente pelo comércio eletrônico, a Alibaba vem ampliando sua atuação no setor de inteligência artificial. Recentemente, sua divisão de desenvolvimento de chips, T-Head, apresentou o Zhenwu M890, um novo processador voltado para aplicações de IA.

Além do lançamento, a companhia revelou um plano de evolução tecnológica para os próximos anos, sinalizando que pretende disputar mercado diretamente com a Huawei, hoje considerada a principal referência chinesa em infraestrutura para inteligência artificial.

Os números mostram que a disputa está longe de estar definida. Segundo dados da IDC citados no relatório, fornecedores chineses enviaram cerca de 1,65 milhão de chips de IA em 2025. A Huawei liderou com aproximadamente 812 mil unidades, enquanto a Alibaba ocupou a segunda posição, com cerca de 265 mil chips comercializados.

O mercado que a Nvidia pode deixar para trás

Mesmo com as restrições impostas pelo governo americano, a NVIDIA continua sendo uma força relevante no mercado chinês. Dados citados no relatório apontam que a empresa exportou aproximadamente 2,2 milhões de aceleradores de IA para a China em 2025, mantendo participação estimada de 55% no mercado local.

Ainda assim, Pequim busca reduzir sua dependência de fornecedores estrangeiros. A estratégia chinesa passa pela construção de uma cadeia tecnológica nacional capaz de desenvolver tanto os modelos de inteligência artificial quanto os chips que os alimentam.

Esse cenário cria uma oportunidade bilionária para empresas locais, que enxergam espaço para ocupar parcelas cada vez maiores do mercado atualmente dominado por fabricantes internacionais.

A aposta da Huawei em uma nova geração de chips

Um dos movimentos mais ambiciosos vem da Huawei. A companhia anunciou uma nova abordagem para o desenvolvimento de semicondutores, chamada de “Lei de Escala Tau”, apresentada como uma alternativa à tradicional Lei de Moore, princípio que orientou a indústria de semicondutores por décadas ao prever o aumento contínuo da capacidade de processamento dos chips por meio da miniaturização dos transistores.

A proposta da busca aumentar o desempenho dos sistemas não apenas pela miniaturização dos transistores, mas pela integração mais eficiente entre múltiplos chips e componentes. Segundo a empresa, essa estratégia poderá permitir que seus sistemas alcancem densidade equivalente a chips de 1,4 nanômetro até 2031.

A iniciativa surge em um momento em que a indústria mundial enfrenta dificuldades para continuar reduzindo o tamanho dos transistores, aproximando-se dos limites físicos da escala atômica.

Entre inovação e pragmatismo

Apesar do entusiasmo em torno das novas tecnologias anunciadas pela Huawei, especialistas observam que densidade de transistores não significa necessariamente maior desempenho final. Questões como eficiência energética, dissipação de calor e integração dos sistemas continuam sendo desafios relevantes para toda a indústria.

Além disso, estratégias alternativas à Lei de Moore não são inéditas. Empresas americanas e asiáticas já investem há anos em tecnologias como chiplets e sistemas avançados de empacotamento para ampliar a capacidade computacional sem depender exclusivamente da redução do tamanho dos transistores.

Uma nova geopolítica da inteligência artificial

Mais do que uma disputa empresarial, a corrida pelos chips tornou-se uma questão estratégica para governos. A capacidade de desenvolver infraestrutura própria para inteligência artificial é cada vez mais vista como um fator de soberania tecnológica, competitividade econômica e segurança nacional.

Nesse contexto, a China tenta construir um ecossistema capaz de reduzir sua dependência de fornecedores estrangeiros. Mas, ao mesmo tempo, a competição interna cresce rapidamente. Se a liderança da DeepSeek entre os modelos de IA chineses durou menos de um ano, o domínio da Huawei no mercado de chips também pode enfrentar desafios nos próximos anos.

A disputa que hoje acontece dentro da China vai muito além da liderança de mercado entre gigantes da tecnologia. Ela ajuda a definir quem controlará a infraestrutura que sustentará a inteligência artificial nas próximas décadas. Em um cenário marcado por tensões geopolíticas, restrições comerciais e avanços acelerados da IA, a capacidade de projetar e fabricar chips tornou-se um dos ativos mais estratégicos da economia global. E a China parece determinada a não depender de ninguém para disputar esse futuro.

Texto: Redação TI Rio
Curadoria Editorial: Bruno Nasser

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