China acelera corrida da IA com modelos mais baratos e abertos

china acelera corrida da ia com modelos mais baratos e abertos

Lançamentos de Alibaba e DeepSeek ampliam a pressão sobre empresas americanas ao combinar desempenho competitivo, baixo custo e abertura de tecnologia.

A disputa global pela inteligência artificial ganhou um novo capítulo. Na mesma semana, as chinesas Alibaba e DeepSeek apresentaram modelos que reforçam uma estratégia cada vez mais clara: aproximar-se da capacidade das principais plataformas americanas, mas cobrar muito menos por isso.

Alibaba aposta em escala e código aberto

A Alibaba lançou o Qwen3.8-Max, seu modelo mais avançado até agora. Segundo a Reuters, o sistema possui 2,4 trilhões de parâmetros e utiliza uma arquitetura mixture-of-experts, que ativa cerca de 95 bilhões deles em cada processamento. A estrutura ajuda a reduzir o consumo computacional e o custo de operação.

O Qwen3.8-Max estreou na quarta posição do Frontend Code Arena, ranking voltado à programação, ficando próximo dos modelos mais avançados da Anthropic.

Nos testes divulgados pela própria Alibaba, o modelo trabalhou durante vários dias na construção de um software, coordenou centenas de agentes e realizou simulações prolongadas de pesquisa e comércio eletrônico. O The Verge ressalta, porém, que parte dos resultados foi apresentada pela própria empresa e ainda precisa ser confirmada por avaliações independentes.

A Alibaba também anunciou que disponibilizará os pesos do modelo, permitindo que desenvolvedores possam executá-lo e adaptá-lo em infraestrutura própria. Segundo a Reuters, a empresa estuda cobrar participação na receita de grandes usuários comerciais, adotando um modelo semelhante ao empregado por outras companhias chinesas de IA.

DeepSeek transforma preço em vantagem competitiva

A DeepSeek adotou uma estratégia diferente. Em vez de apresentar uma arquitetura inteiramente nova, atualizou o V4-Flash e manteve os preços baixos: US$ 0,14 por milhão de tokens de entrada e US$ 0,28 por milhão de tokens de saída, conforme informa a documentação oficial da empresa.

Ainda segundo a Reuters, com base em levantamento da Artificial Analysis, o V4-Flash apresentou um custo médio de apenas US$ 0,03 por teste, aproximadamente 105 vezes inferior ao Claude Fable 5, da Anthropic. O modelo chinês, entretanto, ainda ficou abaixo das plataformas mais avançadas da OpenAI e da Anthropic em desempenho geral.

A comparação mostra que a corrida da IA não se limita mais à liderança nos rankings. Para empresas que precisam processar grandes volumes de informação, automatizar atividades ou operar sistemas com múltiplos agentes, o custo pode ser tão decisivo quanto alcançar o desempenho máximo.

Os modelos chineses ainda não eliminaram a vantagem tecnológica das empresas americanas, mas começam a retirar delas algo igualmente valioso: a exclusividade sobre capacidades avançadas. Se a diferença de desempenho continuar diminuindo enquanto os preços permanecem muito menores, OpenAI e Anthropic terão de justificar por que seus modelos ainda merecem custar tão mais caro.

Texto: Redação TI Rio
Curadoria Editorial: Bruno Nasser

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