
O Brasil e a União Europeia deram mais um passo na ampliação de sua cooperação tecnológica. Durante o Web Summit Rio 2026, a vice-presidente executiva da Comissão Europeia para Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna Virkkunen, anunciou a criação de uma parceria digital entre o bloco europeu e o país. A iniciativa faz parte da estratégia da União Europeia de fortalecer sua autonomia tecnológica e ampliar a cooperação com parceiros considerados confiáveis.
A parceria terá como foco áreas estratégicas como compartilhamento de dados, conectividade, cibersegurança e proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Segundo Virkkunen, o objetivo é criar oportunidades para empresas dos dois lados do Atlântico, aprofundando a integração tecnológica em um momento marcado pela crescente digitalização da economia.
O anúncio ocorre poucos meses após a formalização do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que criou uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. Com o novo entendimento, o Brasil passa a integrar um grupo seleto de países que mantêm acordos de cooperação digital com o bloco europeu, ao lado de Canadá, Japão, Coreia do Sul e Cingapura.
Cooperação para além do comércio
De acordo com a representante europeia, a aproximação reflete valores compartilhados entre Brasil e União Europeia, como a defesa de mercados abertos, o desenvolvimento de tecnologias seguras e o fortalecimento de uma ordem internacional baseada em regras.
Virkkunen destacou ainda que a transformação digital exige cada vez mais colaboração internacional. Para ela, nenhum país ou bloco econômico consegue manter sua competitividade tecnológica atuando de forma isolada, especialmente diante dos desafios impostos pela Inteligência Artificial, pela segurança digital e pela crescente demanda por infraestrutura tecnológica.
Busca por soberania tecnológica
A parceria também está alinhada à estratégia europeia de reduzir dependências consideradas críticas em setores estratégicos da economia digital. Entre as preocupações do bloco estão áreas como semicondutores, armazenamento de dados e computação em nuvem.
Recentemente, a Comissão Europeia lançou um pacote de medidas voltado ao fortalecimento da indústria tecnológica do continente, incluindo investimentos em serviços próprios de computação em nuvem. Atualmente, empresas norte-americanas como Amazon, Google e Microsoft concentram cerca de 70% desse mercado na Europa.
Nesse contexto, a ampliação de parcerias internacionais surge como uma forma de diversificar fornecedores, fortalecer cadeias tecnológicas e ampliar a capacidade de inovação. Para o Brasil, a iniciativa abre espaço para maior integração com um dos principais mercados digitais do mundo, além de oportunidades para empresas, universidades e centros de pesquisa envolvidos no desenvolvimento de tecnologias emergentes.
Texto: Redação TI Rio
Curadoria Editorial: Bruno Nasser