O mundo vive a terceira onda de tecnologia, afirma a consultoria IDC, e no centro está a mobilidade, que tem sido impulsionada pela consumerização, um caminho sem volta, diz Luciano Crippa, gerente de pesquisas da IDC. “A movimentação de levar dispositivos pessoais para uso no ambiente corporativo não é nova, mas a pressão dos usuários para ampliar sua aceitação aumentou”, resume.
De acordo com Crippa, até pouco tempo o CIO conhecia a tecnologia, entendia sua aplicação nos negócios e a levava para dentro de casa. Agora, o quadro mudou. “O funcionário passa a inserir a TI na empresa com o objetivo de tornar o dia a dia mais produtivo”, assinala. “O usuário foi promovido a CIO e cada um tem seu microambiente tecnológico”, brinca.
Pesquisa da IDC conduzida com 3 mil profissionais em todo o mundo indica que em 2010, 30,7% dos dispositivos que circulavam na organização e acessavam a rede eram pessoais e 69,3% corporativos. Em 2011, os pessoais saltaram para 40,7%. Na América Latina, aponta o levantamento, 43% dos profissionais estão autorizados a acessar dados da empresa, seja e-mail ou qualquer outro tipo de aplicação, por meio de aparelhos pessoais.
“Cada vez mais os executivos vão migrar do simples uso do correio eletrônico para BI, CRM e ERP, fazendo com que esse número cresça”, projeta. Em 2016, a consultoria estima que mais de 50 milhões de smartphones serão vendidos no Brasil o que reforça a ideia de que consumerização será uma realidade, diz.
Apesar disso, poucas organizações [de variados setores] desenvolvem políticas para regular o uso ou então permitem utilização dos dispositivos. Parte desse bloqueio acontece porque a TI, muitas vezes, não tem real dimensão do que os funcionários utilizam. A constatação é de um estudo conduzido pela IDC, a pedido da Unisys, ouviu 3 mil profissionais em todo o mundo divididos em dois grupos: aqueles que estão na TI e os adeptos da consumerização.
O setor de TI acredita que 34% da força de trabalho usa devices pessoais na empresa. Enquanto isso, 69% dos profissionais disseram que têm acesso a dispositivos inteligentes na organização. Para ele, o CIO está reativo, mas o primeiro passo para mudar essa postura é ter uma visão 360 graus das tecnologias presentes na empresa.
Segundo Crippa, o mercado, e especialmente a mão de obra, está mudando mais rápido e a inflexibilidade para aceitar esse universo é um risco. “É preciso tirar proveito e envolver os executivos de negócios. O custo de perder oportunidades pode ser alto”, alerta.
Mas, assim como qualquer conceito emergente, alguns gargalos e preocupações são identificados, observa, como compliance, segurança, custo e cultura. “Algumas questões não resolvidas podem frear a adoção, como quem é o responsável pela segurança e privacidade dos dados? E se o usuário tiver uma aplicação pirata no aparelho, de quem é a responsabilidade?”, questiona.
Para lidar com a consumerização, Crippa aconselha que as organizações invistam em tecnologias ou serviços que possibilitem segurança nos dispositivos, virtualização de desktops para permitir o acesso das informações em qualquer device, backup on-line e gerenciamento centralizado.
A criação de políticas também faz parte da lista. “É necessário estabelecer quem pode acessar a rede e as informações corporativas por meio de aparelhos pessoais, quais dispositivos estão habilitados etc”, recomenda.
De acordo com ele, também é importante que os usuários concordem com a criptografia de dados, estabelecimento de senhas fortes e autotravamento do aparelho, bloqueamento remoto, monitoramento, acordo de suporte, entre outros.
Ao criar um ambiente em que a consumerização é permitida e gerenciada de forma adequada, Crippa afirma que diversos benefícios podem ser conquistados. “Contratar e reter melhores talentos, registrar menores custos para entregar acesso à rede corporativa, aumento da vantagem competitiva, espalhar a inovação pela companhia e atender às mudanças nas preferências dos funcionários são alguns”, detalha.
Site: Computerworld
Data: 10/04/2012
Hora: 14h56
Seção: Tecnologia
Autor: Déborah Oliveira
Link: http://computerworld.uol.com.br/tecnologia/2012/04/10/aumenta-a-pressao-do-usuario-pela-consumerizacao-afirma-a-idc/