Cloud computing é ainda um desafio, e não necessariamente algo bem definido e estruturado na TI, mas somente para aqueles que “não implantaram completamente a geração anterior de rede e gestão de sistemas”, observou Jeffrey Kaplan, diretor da ThinkStrategies, empresa de consultoria de TI.
A Kaplan moderou a abertura de um workshop “Novas ferramentas e tecnologias para gerenciamento de nuvem híbrida”, no evento Cloud Connect, da UBM Tech, que está sendo realizado nos EUA. Para as equipes de TI, a nuvem híbrida promete oferecer uma camada adicional de computação acima da complexidade que já está se tentando gerenciar, afirmou Kaplan em seu workshop.
A utilização de serviços de nuvem externa irá consumir 14,5% dos orçamento de TI até 2020, de acordo com estimação da Reserach and Innovation Estimates, citado por ele, mesmo os times de TI querendo ou não. Desenvolvedores tendem a liderar o caminho até a nuvem de dentro das empresas mais utilizando cartões em comissões de servidores provedores de nuvem pública do que permitindo projetos para serem postergados até haja provisionamento da TI interna.
As empresas de pesquisa Gatepoint e ThinksStragies investigaram a opinião dos gerentes de TI sobre a necessidade de ferramentas para gerenciar a computação em nuvem, seja ela pública ou privada. Ao todo, 64% afirmaram que precisam das ferramentas, 30% disseram que não terem certeza disso, enquanto apenas 6% relataram que elas não eram necessárias. Kaplan ficou intrigado com o fato de quase um terço estar indeciso, mas a Gatepoint mostrou que os essas respostas neutras não eram realmente neutras. Quando uma grande parte do grupo responde que não tem certeza significa que eles estão insatisfeitos com essas ferramentas e não sabem qual é sua devida importância, afirmou.
Kaplan discutiu com Dave Bartoletti, analista sênior de infraestrutura e operações da Forrester Group, sobre algumas medidas para trazer a TI para uma posição em que seja capaz de adotar a nuvem híbrida – uma combinação entre nuvem privada, onde os usuários se auto-abastecem e dimensionam os servidores virtuais conforme necessário e, em seguida, são cobrados por sua utilização, e nuvem pública, onde padrões e cargas de trabalho não sensitivos e demandas são enviados para complementar a nuvem privada.
Bartoletti considera que o interesse em computação em nuvem pública ou híbrida é generalizado, mesmo assim 38% dos 1.058 decisores de TI entrevistados pela Forrester disseram não ter estratégia formal ou plano para adotá-la. Esse número, no entanto, deve cair para 15% até o final de 2013, de acordo com o levantamento da Forrester Forrsights Services realizado no último trimestre de 2012.
Em uma pesquisa da Forrester com 2.444 gerentes de TI de software no final de 2012, 50% das empresas disseram que utilizarão algum tipo de infraestrutura como serviço até 2013. Isso equivale a 14% em 2010, acrescentou Bartoletti.
O movimento para a nuvem está sendo conduzido por desenvolvedores que estão buscando obter os servidores virtuais que eles dizem precisar e pelos quais seus projetos de desenvolvimento não podem esperar. Cerca de 16% dos decisores de TI disseram no relatório Forrsights Services que viram os negócios fazendo uso não autorizado de recursos fora da nuvem, mas acreditam que esse número vai cair em 2013 para 9%.
“Os desenvolvedores são muito mais agressivos sobre a nuvem do que qualquer outra parte da organização. Desenvolvedores estão trazendo dados sensíveis, o seu core IP, para a nuvem. Se eles estão fazendo isso com permissão é outra questão”, alertou Bartoletti. Ele expressou o ceticismo sobre a confiança dos gestores de TI de que o uso não autorizado da nuvem cairia significativamente em 2013. “Eu acho essas informações engraçadas. Acho que são respostas muito otimistas”, disse ele.
Como o uso da nuvem evolui para uma combinação híbrida, a TI tem a oportunidade de tomar conta tanto do uso sancionado quanto do não sancionado, se ela se posicionar como meio de entrega do que os usuários de negócios, e os desenvolvedores que trabalham para eles, precisam.
“´É preciso se oferecer para ser o operador de nuvem para qualquer um usar serviços de nuvem”, ele aconselhou. “Dê aos desenvolvedores o que eles querem: um serviço automediado com autonomia da TI”, e não um serviço atado a uma série de imposições com atrasos e aprovações.
Mas a TI também pode impor uma cobrança retroativa, assim os desenvolvedores e usuários de negócios são responsáveis pelos recursos que estão usando. “Você pode ter certeza de que está oferecendo o o melhor negócio” e gerenciar suas contas para eles. Mas, como o Alcoólatras Anônimos “primeiro você tem que reconhecer que isso está acontecendo”, acrescentou.
O objetivo de longo alcance para a TI é unificar as ferramentas utilizadas para gerenciar o uso de nuvem privada e nuvem pública. Isso provavelmente vai ser feito pelo titular de um novo cargo, o administrador da nuvem, que pode (ou não) sair das fileiras dos administradores de virtualização que já estão na organização de TI. Ele vai aprender com o exemplo de provedores de nuvem pública a racionalizar o número de servidores virtuais oferecidos no local e na nuvem pública, e a encontrar uma maneira de monitorar e gerenciar a partir de um único console de gerenciamento.
“Você tem que estar preocupado em construir outro silo de ferramentas de gestão”, que será a ruína da geração anterior de provedores de recursos especializados e isolados, conclui.
Site: Information Week
Data: 04/04/2013
Hora: ——
Seção: Mercado
Autor: Fernando Mollón
Link: http://itweb.com.br/106822/as-perspectivas-para-a-ti/