Apps criados com vibe coding vaza dados

apps criados com vibe coding vaza dados

Milhares de aplicativos criados com ferramentas de programação assistida por inteligência artificial estão disponíveis na internet sem qualquer proteção adequada, deixando à mostra informações confidenciais de empresas, hospitais e usuários comuns. A descoberta foi feita pela empresa israelense de cibersegurança RedAccess, que analisou 380 mil programas acessíveis publicamente.

Do total analisado, cerca de 5 mil aplicativos praticamente não tinham barreiras de autenticação ou segurança. Em muitos casos, bastava ter o link para acessar todo o conteúdo. O dado mais alarmante é que 40% desses apps expõem informações sensíveis, incluindo dados médicos, financeiros, corporativos e estratégicos.

O que é vibe coding e por que isso importa

Vibe coding é uma forma de desenvolvimento de software em que qualquer pessoa pode criar aplicativos usando apenas comandos em linguagem natural, sem precisar saber programar. Ferramentas como Lovable, Base44, Replit e Netlify estão entre as plataformas analisadas pela pesquisa. Elas democratizaram a criação de software, mas também abriram caminho para que pessoas sem nenhum conhecimento de cibersegurança coloquem sistemas inteiros na internet sem as devidas proteções.

O site Axios verificou de forma independente vários dos aplicativos identificados e encontrou casos graves. Entre eles estavam informações financeiras internas de um banco brasileiro, dados de uma empresa de logística detalhando a movimentação de embarcações em portos específicos, registros de ensaios clínicos ativos no Reino Unido pertencentes a uma empresa de saúde, e conversas completas de consumidores com o serviço de atendimento de uma fabricante de móveis britânica.

A própria RedAccess listou outros exemplos encontrados durante a investigação: conversas entre pacientes e uma instituição de cuidados infantis, resumos de consultas médicas e escalas de funcionários de um hospital, registros de aulas e dados de estudantes de uma escola, e até o roteiro completo de viagem de um casal particular para a Bélgica, com detalhes de reservas em hotéis e restaurantes.

Por que as empresas falharam

Segundo Dor Zvi, pesquisador de segurança da RedAccess, as próprias organizações são responsáveis pelo vazamento, ao colocar aplicativos no ar sem as proteções básicas. O nível de descuido chegou ao ponto de muitas empresas manterem os apps hospedados nos domínios padrão das próprias ferramentas de desenvolvimento, o que facilitou enormemente o trabalho dos pesquisadores. Para encontrar os sistemas desprotegidos, bastou realizar buscas simples no Google e no Bing.

O problema central parece ser a ausência de supervisão interna. As ferramentas de vibe coding permitem que qualquer funcionário crie e publique uma solução de software por conta própria, sem passar por uma equipe de tecnologia ou segurança. As empresas, ao que tudo indica, não estabeleceram políticas claras para controlar o que seus colaboradores estão desenvolvendo e publicando.

A resposta das empresas

A divulgação dos achados gerou reações contrastantes. O CEO da Replit, Amjad Masad, criticou publicamente a RedAccess por ter alertado a empresa apenas 24 horas antes de procurar veículos de imprensa para compartilhar os resultados da pesquisa.

A Lovable informou que está investigando os casos, mas alegou não ter recebido detalhes técnicos ou URLs dos aplicativos problemáticos. A Wix, proprietária da Base44, fez declaração semelhante, dizendo que também não recebeu a lista com os apps identificados. As três empresas transmitiram à publicação Wired que a decisão de tornar um aplicativo público é de responsabilidade exclusiva de quem o cria. A Netlify não se pronunciou.

A situação evidencia uma tensão crescente entre a facilidade proporcionada pelas ferramentas de inteligência artificial e a necessidade de conhecimento mínimo em segurança por parte de quem as utiliza. Criar um app ficou simples. Protegê-lo, ao que parece, continua sendo uma etapa que muitos ainda ignoram.

Texto: Redação TI Rio
Curadoria editorial: Bruno Nasser

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