RIO – Volta e meia as operadoras de telecomunicações apresentam sérios problemas de sinal, e acabam recebendo multas milionárias da Anatel ou de Procons por não atingirem as metas propostas. Com foco nessa situação recorrente, Jorge Gabrich e Raissa Belke, estudantes de Engenharia de Telecomunicações da UFF, bolaram um aplicativo — o Signal Mon — destinado a aprofundar a medição dos sinais 3G e afins e reduzir o tempo de resolução dos problemas. A ideia nasceu de discussões de ambos com seu orientador para a conclusão da graduação, o professor João Marcos Meirelles da Silva.
— Signal Mon vem da expressão “monitor de sinal” — explica Gabrich. — Ao contrário de inúmeros apps hoje encontrados na internet que propiciam ao usuário final medir a qualidade do sinal no seu aparelho, pensamos no lado da empresa: como fazer a operadora ter acesso mais rápido a eventuais falhas, para consertá-las mais rapidamente.
Segundo Raissa e Gabrich, hoje, para verificar em que condições operam suas estações rádio-base (as torres de celular), as teles fazem drive tests em furgões equipados com antenas. Mas essa prática obtém resultados limitados.
— Eles mapeiam o sinal em ruas e suas proximidades, mas não chegam a determinados pontos, dentro das casas ou escritórios — explica Raissa. — Por isso nossa ideia com o Signal Mon é dotar das ferramentas de medição os celulares dos próprios trabalhadores e usuários da operadora (num sistema de crowdsourcing). Isso pode dar às teles um quadro muito mais completo do que está acontecendo. Inclusive em grandes eventos, como o réveillon em Copacabana ou em jogos da Copa do Mundo.
A equipe trabalha desenvolvendo o app para o sistema Android, o líder de mercado e mais comumente usado para os testes, por ser open source. Se os trabalhadores de uma tele podem passar a usar o novo recurso por decisão da empresa, a ideia da dupla para atrair os assinantes para seu sistema de crowdsourcing é que a operadora ofereça um plano com desconto para smartphones e tablets se o assinante topar usar o aplicativo para ajudar na medição.
— Foram feitos testes iniciais do software com smartphones de colegas na universidade, medindo como estava a rede da Claro em alguns pontos em Niterói e no Rio — conta João Marcos.
Nos mapas do Signal Mon, os locais com falhas no sinal são marcados com quadrados vermelhos, e com a ajuda dos usuários é possível alcançar mais pontos do que com os drive tests usuais.
No momento, a equipe está terminando de registrar o software, e o próximo passo é estabelecer um plano de negócio — a monetização viria, naturalmente, de potenciais acordos com as teles — e montar uma start-up baseada nos serviços do aplicativo.
— Vamos procurar incubadoras de empresas para dar continuidade ao trabalho — diz Gabrich.
Site: O Globo
Data: 07/02/2014
Hora: 16h10
Seção: Tecnologia
Autor: André Machado
Link: http://oglobo.globo.com/tecnologia/app-bolado-por-estudantes-da-uff-busca-tornar-mais-eficaz-deteccao-de-falhas-nas-redes-de-celular-11536903