A inteligência artificial já entrou nas empresas. A governança ainda não.

a inteligência artificial já entrou nas empresas. a governança ainda não.

O uso da inteligência artificial deixou de ser uma tendência para se tornar parte da rotina de trabalho. O que ainda não acompanhou essa transformação foi a capacidade das empresas de organizar, regulamentar e integrar essa tecnologia aos seus processos.

Um levantamento do Panorama Nacional 2025 – IA e o Futuro do Trabalho revela que 79,1% dos profissionais já utilizam ferramentas de inteligência artificial em suas atividades diárias, enquanto apenas 23,7% afirmam que suas empresas possuem políticas claras para orientar esse uso. O contraste evidencia um cenário em que a adoção da tecnologia avança impulsionada pelos próprios colaboradores, mas ainda sem uma estratégia institucional consolidada.

Na prática, a inteligência artificial já faz parte do cotidiano corporativo. O desafio agora é transformar esse uso espontâneo em uma vantagem competitiva.

Da iniciativa individual à estratégia empresarial

Grande parte da adoção da IA acontece por iniciativa dos próprios profissionais, que recorrem às ferramentas para produzir textos, organizar informações, resumir documentos, automatizar respostas e acelerar tarefas operacionais.

Segundo a consultora Mariah Sathler, especialista em implementação de IA para pequenas e médias empresas, esse movimento ocorre de forma descentralizada e, muitas vezes, sem qualquer integração com os objetivos estratégicos da organização.

Embora gere ganhos imediatos de produtividade, esse modelo também cria um ambiente onde diferentes equipes utilizam ferramentas distintas, sem critérios comuns, indicadores de desempenho ou mecanismos de controle.

O resultado é uma empresa onde a inteligência artificial existe, mas ainda não faz parte da gestão.

O risco invisível da adoção sem regras

A ausência de políticas internas amplia riscos que vão além da eficiência operacional.

Sem diretrizes claras, colaboradores podem compartilhar informações sensíveis em plataformas públicas de IA, incluindo contratos, dados de clientes, documentos internos e conteúdos estratégicos. Dependendo da ferramenta utilizada, essas informações podem ser armazenadas, processadas ou até utilizadas para treinamento de modelos, comprometendo a segurança da informação e a confidencialidade dos negócios.

Além dos riscos de proteção de dados, a falta de governança também dificulta a mensuração de resultados. Empresas acabam investindo em assinaturas e plataformas sem critérios objetivos de utilização, reduzindo o retorno sobre esses investimentos.

A diferença entre utilizar inteligência artificial e extrair valor dela passa, cada vez mais, pela existência de processos, políticas e objetivos bem definidos.

O Brasil ainda está em fase de consolidação

Dados da Pesquisa de Inovação Semestral (Pintec), do IBGE, mostram que 41,9% das empresas brasileiras com 100 ou mais funcionários já utilizam inteligência artificial. O número demonstra avanço, mas também indica que a adoção estruturada ainda está longe de ser uma realidade para a maioria das organizações.

Entre pequenas e médias empresas, o uso tende a ser ainda mais concentrado em aplicações pontuais, normalmente voltadas para produtividade individual.

Esse cenário também dialoga com a realidade observada no ecossistema de tecnologia fluminense. A Pesquisa RH TI Rio 2025 mostra que 62,2% das empresas já utilizam ou planejam utilizar IA em treinamento, 40,5% em pesquisas de clima e 37,8% na triagem de currículos, enquanto os principais desafios para ampliar essa adoção continuam sendo a capacitação das equipes (64,9%) e a resistência cultural (48,7%), superando inclusive as preocupações com custos.

Os dados reforçam que o principal obstáculo para a expansão da inteligência artificial deixou de ser tecnológico. O desafio passa a ser organizacional.

A próxima etapa será a governança

A expectativa para os próximos anos é que a inteligência artificial deixe de atuar apenas como ferramenta de apoio e passe a integrar os processos centrais das empresas.

Para isso, especialistas recomendam a criação de políticas simples de uso, definindo quais plataformas são autorizadas, quais tipos de informação podem ser utilizados, quais atividades podem ser automatizadas e quais permanecem sob responsabilidade exclusivamente humana.

Mais do que regulamentar o uso da tecnologia, essas diretrizes permitem reduzir riscos, aumentar a produtividade e transformar a inteligência artificial em um ativo estratégico para o negócio.

Texto: Redação TI Rio
Curadoria editorial: Bruno Nasser

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