
Expansão da inteligência artificial mobiliza investimentos bilionários em chips, data centers, energia e conectividade, enquanto crescimento do financiamento começa a chamar atenção das autoridades financeiras.
A corrida pela inteligência artificial está mudando de natureza. Se a primeira fase foi marcada pela disputa por modelos, aplicações e GPUs, a expansão da tecnologia passa agora pela capacidade de garantir chips, memória, conectividade, data centers e energia em escala. A IA deixa de ser apenas uma corrida tecnológica e se torna também uma disputa por infraestrutura e capital.
Um exemplo dessa mudança veio nesta semana. Amazon e Qualcomm fecharam um acordo de longo prazo que pode envolver até US$ 60 bilhões em compras de chips e outros produtos para data centers de IA. A parceria também inclui tecnologias de conectividade óptica, fundamentais para integrar grandes volumes de processadores.
A escala dos investimentos ajuda a dimensionar esse movimento. Segundo o Banco de Compensações Internacionais (BIS), as cinco maiores empresas de tecnologia devem investir, juntas, mais de US$ 1 trilhão em infraestrutura relacionada à IA entre 2025 e 2026. Globalmente, os investimentos no setor podem passar dos atuais US$ 500 bilhões para algo entre US$ 3 trilhões e US$ 4 trilhões até 2030.
O financiamento entra na equação
Esse avanço também começa a produzir efeitos financeiros. Em discurso nesta semana, o diretor-geral do BIS, Pablo Hernández de Cos, destacou que os investimentos das maiores empresas estão crescendo mais rapidamente que seus fluxos de caixa, ampliando a utilização de dívida e crédito privado.
Segundo Hernández de Cos, parte desse financiamento também está se tornando mais interligada e menos transparente. Fabricantes de chips e grandes provedores de infraestrutura investem em empresas de IA que, por sua vez, assumem compromissos de compra de chips e capacidade computacional dessas mesmas companhias, criando relações financeiras difíceis de avaliar.
O BIS não afirma que uma bolha de IA necessariamente irá estourar. O alerta é para o risco de que os retornos esperados não acompanhem o volume de capital mobilizado. Nesse cenário, uma redução dos investimentos poderia provocar reprecificação de ativos e dificuldades para empresas mais endividadas, com efeitos capazes de alcançar outros segmentos do sistema financeiro.
A questão central é que a economia da IA está mudando. Competir nesse mercado depende cada vez menos apenas de desenvolver bons modelos e cada vez mais da capacidade de sustentar a infraestrutura necessária para executá-los.
Chips, memória, redes, data centers, energia e financiamento passam, portanto, a integrar uma mesma equação. A próxima etapa da corrida pela inteligência artificial será disputada tanto no software quanto na infraestrutura física e financeira capaz de sustentá-lo.
Texto: Redação TI Rio
Curadoria Editorial: Bruno Nasser