No Brasil, quase todas as empresas — 97% — deixam seus funcionários usarem dispositivos móveis no ambiente de trabalho, segundo o professor da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP), João Peres. A estatística coloca o país à frente dos Estados Unidos, onde 85% das companhias favorecem a prática.
A discussão em torno do BYOD – Bring Your Own Device (“traga seu próprio dispositivo”) rendeu seminário realizado ontem, 7, na Fecomércio, em São Paulo, com a presença de especialistas em TI e advogados.
O BYOD vem para suprir o moroso processo de modernização tecnológico de muitas entidades, que ainda esbarram na burocracia e na falta de recursos para adquirir equipamentos de ponta. Por conta disso, os funcionários, que têm cada vez mais acesso a produtos de altíssima tecnologia disponíveis no mercado comum, utilizam seus próprios equipamentos eletrônicos no ambiente de trabalho para agilizar as tarefas.
O presidente do Conselho de Tecnologia da Informação, Renato Opice Blum, atenta para os riscos de segurança com as informações sigilosas das corporações e os limites de monitoramento dos dispositivos pessoais. “A prática do BYOD traz um grande desafio, que é adequar as atividades empresariais às normas de segurança, sem ultrapassar os limites de monitoramento dos dispositivos pessoais. Até aonde o monitoramento pode ir?”
Segundo o presidente da Etek NovaRed Brasil, provedora de soluções integradas de segurança da informação, um em cada cinco brasileiros perdem o celular ou smartphone por dia. “Isso evidencia a necessidade das empresas desenvolverem dispositivos de segurança, como senhas para proteger as informações sigilosas presentes nos aparelhos”, afirma.
Ainda não há legislação trabalhista que trate especificamente o BYOD. “De acordo com os fundamentos legais brasileiros, o direto de propriedade é garantido para o dono do produto. Ou seja, todas as informações oriundas de aparelhos pessoais são de responsabilidade do proprietário. Um conforto jurídico é a utilização de aparelhos que fazem a divisão entre interface pessoal e corporativa”, pondera a advogada Camilla Jimene, do escritório Opice Blum Advogados, especializado em direito eletrônico e digital.
Soluções como essas já estão no mercado. “Esse dispositivo permite que haja a segregação das informações sigilosas da empresa, a qual o funcionário pode acessar, e das atividades particulares que a empresa não tem o direito de possuir”, afirma o diretor de produtos móveis da Samsung, Roberto Soboll, ao explicar sobre dispositivo desenvolvido pela companhia.
O evento contou com a presença do perito do Instituto Brasileiro de Peritos do Brasil, Giuliano Giova, que tratou dos desafios à formação de provas contra crimes eletrônicos no novo cenário imposto pela prática do BYOD.
Site: Olhar Digital
Data: 07/05/2013
Hora: 16h
Seção: Digital_News
Autor: ——
Link: http://olhardigital.uol.com.br/negocios/digital_news/noticias/uso-de-dispositivos-moveis-no-trabalho-e-quase-unanime-no-brasil