3 imperativos para área de TI

“Há uma grande transformação em curso.” Com essa frase que abre margem para diversas interpretações, Vishal Sikka, membro do conselho de tecnologia e inovação na SAP, iniciou sua apresentação na manha de terça-feira (16/10), durante o SAP TechEd 2012, em Las Vegas (EUA). Indiano, com forte sotaque, o executivo, conhecido por ser pai do Hana, quis prender a atenção dos mais de cinco mil presentes. Quem esperava algo mais técnico ou ainda um grande anúncio, apostou errado. Embora ele tenha usado seu tempo para abordar coisas novas como o Netweaver Cloud ou a disponibilidade do Hana One na nuvem da Amazon, Sikka trouxe para o palco um discurso fortemente centrado no usuário final e em design thinking.

A necessidade de inovar que atinge CIOs e a pressão sofrida por usuários em busca de uma experiência compatível com a que vivenciam em seus dispositivos residenciais parece ter tocado Sikka. Antes de trazer o que chamou de três imperativos para tecnologia, o executivo lembrou algo já bastante discutido em TI, que é a queda do preço do hardware, fruto da popularização dos aparelhos, e comparou isso com o aumento de custo para gerir a complexidade dos ambientes de TI, dos gastos com energia, operações e consultorias para integrar tudo que é adquirido.

Facilitar a gestão e dar inteligência a toda a infraestrutura é uma necessidade. E o executivo acredita que a tendência é que a complexidade dos ambientes seja reduzida e chamou esse movimento de algo necessário. E isso é possível, na visão do executivo, a partir de um cuidado maior com design e distribuição de conteúdo e com muito foco na experiência ofertada ao usuário. “Temos que olhar para isso de maneira diferente”, apontou. Também, frisou Sikka, essas mudanças acontecem com atenção especial à análise dos dados e trabalhando o tempo (de entrega, de atendimento à solicitação, de leitura de informações), que precisa estar de acordo com a necessidade da companhia.

“O poder do design inteligente permite que as pessoas façam coisas que não podiam e nem imaginavam antes. A tecnologia serve para nos conectar e dar poder aos usuários”, ensinou o executivo, para, na sequência, citar o que entende como três imperativos para tecnologia:

– Dar poder aos usuários, com um foco singular em design e interface;

– Renovar os produtos, principalmente do lado da indústria, e trabalhar um ambiente que já não é disruptivo;

– Pensar em uma plataforma para dados em tempo real para nos conectar e que permita aos desenvolvedores criarem sistemas que entendam, conectem e nos dê mais poder.

Claro que muito desses três pontos levantados pelo executivo está estritamente relacionado com os produtos da SAP, em especial com a plataforma Hana – quando ele fala em acesso aos dados em tempo real -, mas é preciso convir que, parte, também, pode ser trabalhada ainda que você não seja cliente da fabricante alemã ou, ainda, que não veja uma necessidade de trabalhar dados em tempo real na realidade atual de sua empresa.

Quando ele fala em dar poder aos usuários e focar em design e em uma boa interface de interação, é como se estivesse pedindo a vocês, CIOs, que se atentem a questões como consumerização e BYOD, que pensem em como as coisas estão mudando e o que você pode fazer para que as pessoas trabalhem melhor e se sintam melhor no ambiente ofertado pela empresa. Cada vez mais se ouve que o departamento de TI perde espaço para outras áreas na decisão de compra ou mesmo em iniciativas – as mais comuns são em mobilidade e social -, e, diante dessa situação, vocês devem se perguntar se é isso o que desejam para o futuro da TI corporativa. Além disso, dar poder ao usuário não significa perder o controle do que é feito.

Mas, sim, abrir uma porta e chegar mais próximo do seu “cliente”, assim como essa é uma necessidade da corporação como um todo, é, também, da TI enquanto prestador de serviço.

Site: Information Week
Data: 16/10/2012
Hora: ——
Seção: Mercado
Autor: Vitor Cavalcanti
Link: http://informationweek.itweb.com.br/10941/3-imperativos-para-area-de-ti/

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